O juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi encontrado morto dentro de um carro em chamas na noite desta quarta-feira (7), na zona rural de São João da Boa Vista, no interior paulista.

O veículo, que pertencia ao magistrado, foi localizado na Estrada de Terra Euclides Dotta, em uma área rural da cidade. Segundo informações do boletim de ocorrência, trabalhadores que estavam na região perceberam o automóvel em chamas e acionaram as autoridades.

Antes da chegada das equipes de emergência, uma testemunha teria utilizado uma retroescavadeira para jogar terra sobre o veículo e tentar conter o fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e atenderam à ocorrência.

Após o controle das chamas, o corpo foi encontrado no interior do automóvel. A identificação foi possível inicialmente por meio de uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em nome do magistrado. Segundo informações divulgadas pelo UOL, uma tatuagem no abdômen também ajudou no reconhecimento.

Polícia investiga morte como suspeita

O caso é tratado como morte suspeita e está sendo investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista.

De acordo com informações divulgadas nesta quinta-feira (8), a perícia inicial não teria identificado sinais aparentes de violência, como ferimentos provocados por arma de fogo ou objeto cortante. Objetos pessoais, incluindo documentos e uma aliança, também teriam permanecido no veículo.

Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a localização de um galão de gasolina próximo aos pedais do carro, informação que deverá ser analisada durante a investigação. A presença do recipiente, por si só, não esclarece a dinâmica da morte.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São João da Boa Vista para exames que poderão auxiliar na determinação da causa da morte. A Polícia Civil informou que a investigação está em fase inicial e que nenhuma hipótese foi descartada.

Quem era Gustavo de Castro Campos

Gustavo de Castro Campos integrava o quadro do Tribunal de Justiça de São Paulo e atuava como juiz de Direito da 2ª Vara da Comarca de Mococa. Registros oficiais do TJSP confirmam sua atuação na unidade ao longo de 2026.

Antes de chegar à magistratura paulista, Campos teve passagem pela carreira jurídica e pela Polícia Civil do Espírito Santo, segundo informações divulgadas sobre sua trajetória profissional.

No TJSP, também atuou em outras comarcas, incluindo Tambaú. Em 2020, o Tribunal registrou sua indicação para a 2ª Vara da Comarca de Mococa, quando ele ainda era juiz de Direito da Comarca de Tambaú.

Juiz teve processo arquivado pelo Órgão Especial do TJSP

Gustavo de Castro Campos também esteve envolvido em um processo relacionado a uma suposta ofensa à honra de um advogado.

O caso foi analisado pelo Órgão Especial do TJSP, que rejeitou a queixa-crime em decisão unânime em abril de 2022. O processo tratava de declarações feitas durante uma audiência e envolvia uma discussão entre o magistrado e o advogado.

Na decisão, o colegiado considerou que houve comportamento provocativo por parte do advogado e entendeu que a reação do magistrado ocorreu diante de uma situação considerada extrema. A queixa-crime foi rejeitada.

Mais recentemente, em abril de 2025, o Órgão Especial do TJSP também determinou o arquivamento de outro inquérito policial no qual Gustavo de Castro Campos figurava como investigado.

Os processos anteriores, contudo, não estabelecem relação com a morte do magistrado. A investigação sobre o incêndio e as circunstâncias da morte é recente e segue em andamento.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa da morte nem sobre eventual participação de terceiros. A Polícia Civil deverá aguardar os resultados dos exames periciais e das demais diligências para esclarecer o que aconteceu.

Artigo anteriorPrimos são executados a tiros em posto de combustível na zona oeste de Manaus
Próximo artigoEm cinco meses, Âmbar Energia troca 900 transformadores e acelera recuperação da rede elétrica do Amazonas