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A Justiça da Argentina suspendeu temporariamente o julgamento que investiga a responsabilidade pela morte de Diego Armando Maradona após a descoberta de que exames médicos anexados ao processo podem pertencer ao pai do ex-jogador, que também se chamava Diego Maradona. A possível troca de documentos colocou em dúvida parte das informações utilizadas na perícia sobre as condições de saúde do craque argentino antes de sua morte.

A revelação ocorreu durante o depoimento do nefrologista Hernán Trimarchi, integrante da Junta Médica criada para analisar as circunstâncias da morte de Maradona. Segundo o especialista, foram identificados no processo dois números de associados diferentes, além de referências a exames realizados em Buenos Aires em um período no qual o ex-jogador estava em Dubai.

A suspeita é de que os documentos tenham sido fornecidos pela empresa de saúde Swiss Medical à comissão médica em 2021, mas correspondam ao prontuário do pai de Maradona, e não ao histórico médico do ex-jogador.

A descoberta levou a Justiça a interromper temporariamente o julgamento para esclarecer a origem dos documentos e avaliar se a possível troca interferiu nas conclusões apresentadas pela perícia.

Os exames fazem parte do conjunto de informações analisadas na investigação sobre a morte do ex-jogador e podem ter sido considerados na avaliação das condições clínicas de Maradona e da atuação dos profissionais responsáveis por seu atendimento.

O promotor Patricio Ferrari criticou a Swiss Medical e afirmou que a empresa teria induzido a Justiça ao erro ao entregar documentos incorretos. Para ele, a descoberta poderia representar uma tentativa de interferir no andamento do julgamento.

“Eles nos enganaram, cometeram um crime e agora querem virar o jogo no julgamento”, declarou Ferrari.

Apesar da controvérsia, o promotor afirmou que a descoberta dos documentos não deverá alterar o resultado da ação. “O veredicto não vai ser revertido”, disse.

A Swiss Medical, por sua vez, classificou o episódio como um erro involuntário cometido pelo departamento de laboratórios da empresa. A companhia deverá prestar esclarecimentos sobre como os documentos foram incluídos no material entregue à comissão médica.

A suspensão do julgamento ocorre em um momento decisivo do processo, que busca determinar se profissionais responsáveis pelo acompanhamento de Maradona tiveram participação ou responsabilidade nas circunstâncias que levaram à morte do ex-jogador.

Maradona morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Desde então, médicos e outros profissionais que participaram de seu atendimento passaram a ser investigados para determinar se houve negligência ou outras condutas que possam ter contribuído para a morte do ídolo argentino.

Com a descoberta da possível troca dos exames, a Justiça deverá analisar quais documentos são efetivamente referentes ao ex-jogador e se as informações utilizadas na perícia permanecem válidas. O esclarecimento também poderá definir quais elementos médicos poderão continuar sendo considerados no julgamento.

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