
O Tribunal do Júri absolveu, nesta quinta-feira (30), os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação realizada em julho de 2025 na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. A decisão foi tomada após três dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram que o homicídio ocorreu e que os dois policiais foram os autores dos disparos que atingiram Igor. Apesar disso, votaram pela absolvição ao responderem positivamente ao quesito absolutório, mecanismo previsto no Tribunal do Júri que permite aos jurados absolverem os réus mesmo após reconhecerem a autoria e a materialidade do crime.
Com o veredicto, a juíza Luiza Torggler Silva rejeitou o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e determinou a imediata soltura dos policiais, que estavam presos no Presídio Militar Romão Gomes.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, integrantes da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) do 16º Batalhão da Polícia Militar, atuaram de forma conjunta com a intenção de matar o jovem.
A acusação sustenta que Renato efetuou disparos com uma pistola e, em seguida, Robson utilizou uma espingarda para atingir Igor, que, conforme o processo, já estava rendido no momento da ação.
O Ministério Público também denunciou os policiais militares Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus, apontando que ambos dispararam contra o cômodo onde Igor estava e prestaram apoio material e moral à ação dos colegas.
Os dois respondem ao processo em liberdade e terão seus casos julgados separadamente, após o desmembramento da ação penal.
O caso ocorreu em 10 de julho de 2025, durante uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis desencadeada após uma denúncia anônima sobre tráfico de drogas em um imóvel da comunidade.
De acordo com a versão apresentada pela corporação, os policiais encontraram quatro suspeitos que tentaram fugir ao perceber a chegada das equipes. O grupo entrou em uma residência, onde ocorreu a abordagem que terminou com a morte de Igor.
Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público afirmou que os quatro policiais agiram de forma coordenada durante a operação. Segundo a investigação, Igor foi morto mesmo estando rendido, circunstância que fundamentou a acusação de homicídio.
Ainda conforme os autos do processo, Igor Oliveira de Moraes Santos não possuía antecedentes criminais na vida adulta, embora tivesse registros de atos infracionais quando era menor de idade relacionados aos crimes de roubo e tráfico de drogas.







