
A proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais de suas competições enfrenta resistência de entidades do futebol internacional. Nesta quinta-feira (30), a Concacaf anunciou que rejeitou o projeto, enquanto a Uefa afirmou que suas seleções poderão deixar de disputar torneios organizados pela entidade caso a iniciativa seja mantida.
O plano prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa responsável pela gestão dos direitos comerciais de competições como a Copa do Mundo. Embora a Fifa mantenha o controle da nova estrutura, a proposta permite a entrada de investidores privados por meio da venda de participações minoritárias.
Em nota oficial, a Concacaf informou que tomou conhecimento da proposta pela imprensa e criticou a falta de transparência durante o processo. A entidade também afirmou que o prazo para análise foi insuficiente e que não houve discussão prévia com os órgãos responsáveis pela governança do futebol mundial.
As 41 federações filiadas à Concacaf decidiram rejeitar o projeto e orientaram seus representantes no Conselho da Fifa a buscar alternativas para ampliar os recursos destinados ao programa Fifa Forward, iniciativa que financia projetos de desenvolvimento do futebol nas associações nacionais.
A entidade também defendeu que qualquer decisão sobre o futuro dos direitos comerciais das competições seja debatida pelos órgãos de governança da Fifa, conforme previsto em seu estatuto.
Em comunicado, a Concacaf afirmou que o principal patrimônio do futebol deve permanecer sob controle das entidades que administram o esporte. Apesar da posição da confederação, a Federação Mexicana de Futebol informou que continuará analisando a proposta antes de definir seu posicionamento oficial.
A oposição ao projeto também ganhou força na Europa. Em declaração conjunta, a Uefa afirmou que a Copa do Mundo “não está à venda” e criticou a possibilidade de transformar os direitos comerciais das competições em ativos para investidores privados.
A entidade europeia afirmou ainda que poderá orientar suas 55 associações filiadas a não participarem de qualquer competição organizada pela Fifa enquanto a proposta permanecer em discussão. Segundo o comunicado, a medida só seria revista caso o projeto fosse completamente retirado e houvesse garantias de que a governança e as competições da Fifa não seriam abertas à propriedade privada.
Diante das críticas, a Fifa declarou que respeita as preocupações apresentadas pelas confederações e reafirmou o compromisso com um processo de consulta amplo e democrático entre as 211 associações nacionais.
A entidade argumentou que parte das discussões foi prejudicada pela divulgação de informações consideradas incorretas e informou que dará continuidade ao diálogo para que todas as federações possam analisar a proposta antes de uma eventual votação.
Segundo a Fifa, a criação da Fifa Forward Enterprise tem como objetivo fortalecer a capacidade comercial das associações nacionais sem alterar a estrutura de governança da entidade. Pelo projeto, a subsidiária administraria as operações comerciais e de eventos da Fifa, permanecendo integralmente sob controle da organização.
A proposta prevê que as receitas adicionais obtidas com uma gestão mais eficiente sejam distribuídas entre as 211 federações filiadas. Cada associação poderia receber até US$ 20 milhões por meio do programa Fifa Forward Development entre 2027 e 2030, independentemente dos valores anteriormente destinados.
A Fifa ressaltou ainda que a adesão ao modelo seria voluntária e que a empresa somente seria criada caso a proposta obtenha apoio suficiente entre as federações nacionais. Sem essa aprovação, a estrutura comercial da entidade permanecerá inalterada.







