
O interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi adiado pela Justiça. O depoimento, inicialmente previsto para esta sexta-feira (3), foi remarcado para 28 de agosto, no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista.
A decisão foi tomada após a defesa solicitar que o Instituto de Criminalística complemente um dos laudos periciais antes da realização do interrogatório.
O pedido foi apresentado durante a audiência de instrução realizada nesta quinta-feira (2), após questionamentos feitos à perita responsável pelas análises técnicas do caso. O juiz aceitou o requerimento e determinou que o interrogatório ocorra somente após a conclusão da nova perícia.
Defesa pretende pedir liberdade
Segundo os advogados do oficial, ainda existem pontos técnicos que precisam ser esclarecidos antes que o réu seja ouvido.
A defesa afirmou que pretende utilizar as informações complementares para embasar o interrogatório e anunciou que também solicitará a revogação da prisão preventiva de Geraldo Leite Rosa Neto.
Os advogados sustentam que os depoimentos colhidos até o momento não seriam suficientes para comprovar a acusação de feminicídio.
Com o adiamento, a 5ª Vara do Júri da Capital encerrou a fase de oitivas das testemunhas. Ao longo da semana, foram ouvidas 30 pessoas, entre testemunhas de acusação e de defesa.
Réu responde por feminicídio
Geraldo Leite Rosa Neto responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente desde 18 de março, no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.
Desde o início da investigação, o oficial afirma que a esposa morreu por suicídio. A versão, no entanto, foi descartada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que sustentam que a perícia apontou inconsistências na dinâmica apresentada pelo militar.


Relembre o caso
A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro.
Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada de helicóptero ao Hospital das Clínicas, mas morreu poucas horas depois em decorrência de um traumatismo cranioencefálico causado por disparo de arma de fogo.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio. Com o avanço das investigações e a realização de exames periciais, a hipótese foi descartada, levando a Polícia Civil a concluir que os elementos encontrados eram incompatíveis com a versão apresentada pelo tenente-coronel.
Com base nas conclusões da perícia, a Justiça autorizou a prisão preventiva do militar, cumprida em 18 de março, em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior paulista.
Desembargador não será ouvido
O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal de Geraldo Leite Rosa Neto, não foi incluído na lista de testemunhas da ação penal.
Segundo os autos, tanto a acusação quanto a defesa entenderam que sua participação não seria essencial para esclarecer a materialidade do crime.
Na manhã da morte de Gisele, o oficial fez diversas ligações para o magistrado antes e depois do disparo.
Conforme registros da investigação, o tenente-coronel tentou contato pelo menos três vezes antes de conseguir falar com o desembargador às 8h04. Depois, ainda realizou outras oito tentativas até novo contato, por volta das 8h41.
Antes dessas ligações, o militar também acionou o serviço de emergência pelo telefone 190 e entrou em contato com um superior da Polícia Militar.
As investigações seguem em andamento, enquanto a Justiça aguarda a conclusão da complementação do laudo pericial para dar continuidade à instrução do processo.







