Por Luís Lemos: professor, filósofo e escritor
Para a segunda edição de nossa série, entrevistamos o filósofo, pesquisador e professor Oziris Alves Guimarães, uma das referências mais importantes da Filosofia e da Educação na Amazônia Setentrional. Nesta entrevista exclusiva, ele compartilha suas experiências, suas influências intelectuais, suas publicações e suas reflexões sobre os desafios da Filosofia na contemporaneidade. Leia, reflita e conheça mais uma voz fundamental da Filosofia produzida na Amazônia!
1. Quem é você? Conte-nos, de forma breve, um pouco sobre sua trajetória de vida. Em qual instituição e em que ano você se formou em Filosofia?
Sou Oziris Alves Guimarães, natural de Coari. Passei minha infância e adolescência na zona rural do município, onde participei das atividades agrícolas, extrativistas e domésticas típicas da vida no interior amazônico. Aos 16 anos, mudei-me para a cidade de Coari para continuar os estudos e, em 1984, segui para Manaus. Iniciei minha formação em Filosofia no Centro de Estudos do Comportamento Humano, concluindo o Bacharelado em 1992. Obtive a Licenciatura em Filosofia (1995) e a Especialização em Filosofia e Existência (1997) pela Universidade Católica de Brasília. Sou mestre em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (2003), doutor em Educação: Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2017) e licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano (2020). Atualmente, sou professor efetivo do curso de Licenciatura em Filosofia e do Programa de Pós-Graduação PROF-FILO da Universidade Estadual de Roraima.
2. Quais eventos ou influências o levaram a se interessar pela Filosofia e a seguir esse caminho intelectual? Houve algum momento decisivo, leitura marcante ou figura inspiradora?
O primeiro contato com Filosofia se deu no Ensino Médio (1984 a 1986). Em seguida no Seminário Redentorista (1987 a 1989) e no Bacharelado em Filosofia pelo Centro de Estudos de Comportamento Humano CENESC.
3. Você possui livros publicados? Se sim, poderia nos contar quais são e do que tratam? Brevemente.
Possuo participação em livros e capítulos publicados nas áreas de currículo, gestão educacional, filosofia da educação e políticas públicas educacionais. Entre os principais trabalhos, destacam-se contribuições para as obras Currículo e Ensino Básico (2007), Pedagogia Cidadã: Cadernos de Formação – Gestão Curricular e Avaliação (2005), Temas em Filosofia da Educação (2006), Educação do Campo e as Políticas Sociais Públicas (2015) e Caminhos e Descaminhos da Gestão Escolar em Escolas Públicas da Amazônia Setentrional (2016). De modo geral, essas publicações abordam temas relacionados ao currículo, à gestão democrática, à filosofia da educação, ao conhecimento e às políticas educacionais na Amazônia.
4. Em sua opinião, qual é o maior desafio enfrentado por quem escolhe a Filosofia como profissão ou modo de vida?
É manter a filosofia aberta à diferença absoluta sem tentar submetê-la a um sistema totalitário ou à neutralização da diferença. É não reduzir o Outro ao “Mesmo” (apropriação teórica). É viver de forma coerente com o discurso filosófico, em vez de tratá-la apenas como um exercício intelectual abstrato ou acadêmico. A disciplina de Filosofia é frequentemente tratada como opcional ou negligenciada nos currículos escolares.
5. Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores, especialmente aos que ainda não tiveram contato com a Filosofia?
Penso que o maior desafio enfrentado por quem escolhe a Filosofia como modo de vida é assumir a responsabilidade infinita pelo “rosto” do Outro, colocando a ética como filosofia primeira antes de qualquer preocupação com o “Ser” ou com o próprio Eu. O filósofo deve abrir mão da totalidade e da autonomia total, permitindo que o “rosto” do outro — o estrangeiro, o órfão, a viúva — questione sua própria existência e seus interesses.





