
A Justiça do Amazonas determinou, nesta sexta-feira (23), a progressão do regime fechado para o semiaberto de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso. A decisão foi assinada pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, que reconheceu o cumprimento dos requisitos legais após a redução de 364 dias da pena por atividades de estudo, trabalho e aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025.
A saída de Ademar do estabelecimento prisional está prevista para as 10h deste sábado (24), conforme informações repassadas à reportagem. Familiares e amigos organizam uma recepção no salão de beleza Belle Femme, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus.
Ademar cumpre pena unificada de 10 anos e 11 meses de reclusão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele estava preso desde 29 de maio de 2024.
O ponto decisivo para a progressão foi o reconhecimento judicial de 364 dias de remição da pena, que antecipou de 27 de outubro de 2027 para 24 de outubro de 2026 o cumprimento do requisito temporal necessário à mudança de regime.
A decisão foi favorável ao pedido apresentado pela defesa, conduzida pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros, e acompanhou o parecer do Ministério Público do Amazonas.
Juíza destaca aprovação no Enem e bom comportamento na prisão
Ao analisar o pedido, a magistrada considerou não apenas o tempo de pena cumprido, mas também o comportamento de Ademar durante o período de encarceramento.
Segundo a decisão, o irmão de Djidja participou regularmente de atividades educacionais, profissionais e de leitura, além de apresentar bom desempenho nas ações de ressocialização oferecidas pelo sistema penitenciário.
O documento judicial registra que Ademar demonstrou “engajamento constante em atividades de ressocialização no sistema prisional, com expressivo aproveitamento escolar e profissional”.
A juíza também destacou que a conduta carcerária foi classificada como boa, sem registro de faltas disciplinares graves, e que o exame criminológico apresentou resultado favorável à progressão.
Com base nesses elementos, a magistrada concluiu que estavam preenchidos os requisitos necessários para a mudança de regime.
“CONCEDO A PROGRESSÃO do regime fechado para o regime semiaberto em favor de ADEMAR FARIAS CARDOSO NETO”, determinou a juíza.
Ademar deixará a prisão com tornozeleira eletrônica
Apesar da autorização para deixar o regime fechado, Ademar continuará cumprindo pena sob fiscalização da Justiça.
A decisão determina que ele seja encaminhado à unidade do regime semiaberto de Manaus para cadastramento no Sistema Chronos e instalação de tornozeleira eletrônica.
Entre as condições estabelecidas estão o recolhimento domiciliar das 22h às 6h durante a semana e a permanência integral em casa nos fins de semana, feriados e dias de folga.
Ademar também deverá cumprir restrições de deslocamento, informar os endereços de trabalho, estudo ou tratamento de saúde e não poderá deixar a comarca de Manaus nem mudar de residência sem autorização judicial.
A magistrada proibiu ainda o consumo de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes, além do porte de armas.
Caso não haja tornozeleira eletrônica disponível no momento da apresentação, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) deverá colocá-lo em liberdade, desde que não exista outra ordem de prisão, e estabelecer uma nova data para instalação do equipamento.
A decisão determina expressamente a expedição do alvará de soltura e seu cumprimento com urgência.
Defesa consegue reconhecimento dos requisitos para progressão
A concessão do regime semiaberto ocorreu após pedido formulado pela defesa de Ademar, representada pelos advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros.
A atuação jurídica buscou o reconhecimento dos requisitos previstos na Lei de Execução Penal, especialmente o abatimento do tempo de pena por atividades educacionais e profissionais e a avaliação do comportamento carcerário.
Na decisão, a juíza Sabrina Cumba Ferreira ressaltou que a progressão de regime integra o processo de ressocialização e permite o retorno gradual do condenado ao convívio social, desde que cumpridas as exigências legais.
O Ministério Público também se manifestou favoravelmente ao benefício, considerando os documentos apresentados no processo.
Família prepara recepção no salão Belle Femme
A expectativa é de que Ademar deixe a unidade prisional na manhã deste sábado, quando familiares e amigos aguardam seu retorno.
Uma recepção está sendo organizada no salão de beleza Belle Femme, no bairro Parque Dez de Novembro, estabelecimento ligado à história da família Cardoso.
O reencontro ocorre após a mãe de Ademar, Cleusimar Cardoso, também conseguir na Justiça a progressão para o regime semiaberto.
O caso de Cleusimar foi noticiado anteriormente pelo Fato Amazônico, que acompanhou a decisão judicial que determinou sua soltura.
A mudança de regime de Ademar não representa o encerramento do cumprimento da pena. Ele continuará submetido às condições estabelecidas pela Vara de Execução Penal e à fiscalização do sistema penitenciário.
Entenda o caso Djidja Cardoso
A prisão de Ademar ocorreu no contexto das investigações sobre a morte de sua irmã, Djidja Cardoso, encontrada sem vida em 28 de maio de 2024, em Manaus.
O caso ganhou repercussão nacional após investigações sobre o uso e a distribuição de cetamina, substância associada às apurações da Operação Mandrágora.
Em julho de 2026, Ademar, sua mãe, Cleusimar Cardoso, e outros cinco réus foram condenados por crimes relacionados ao tráfico de drogas. Conforme a investigação, a rede de salões Belle Femme e o grupo denominado “Pai, Mãe, Vida” teriam sido utilizados em atividades relacionadas à distribuição e aplicação da substância.
A progressão concedida nesta sexta-feira representa uma nova etapa na execução da pena de Ademar, mas não anula sua condenação.
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