
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Donald Trump por “ameaçar outros países com guerra o tempo todo” em entrevista publicada nesta quinta-feira pela revista alemã Der Spiegel, declarando que o líder americano não foi eleito “imperador do mundo”. A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que Lula embarcou para um giro na Europa que inclui uma etapa de dois dias na Alemanha.
“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha”, afirmou Lula ao ser questionado sobre o futuro do multilateralismo em um mundo envolvido em disputas entre China, Rússia e Estados Unidos. O presidente também disse ter pedido a Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron para que fosse convocada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para que Trump fosse instado a discutir o conflito no Irã, mas que ninguém “deu ouvidos”. “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, afirmou.
Lula criticou ainda a possibilidade de Trump iniciar uma guerra com o Irã, alertando que os pobres da África e América Latina seriam os que pagariam a conta. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta dessa guerra sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, disse. O presidente pediu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocasse imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária para que Trump, Putin e outros prestem contas.
O chefe do Executivo também criticou a composição do Conselho de Segurança, defendendo que seja alterada “imediatamente” para incluir como membros permanentes representantes da África, Oriente Médio, Brasil e Alemanha. “A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como você pretende explicar a alguém que, justamente, os cinco membros permanentes são os maiores produtores de armas? São eles que possuem armas nucleares e travam guerras”, criticou Lula, apontando intervenções da França e Reino Unido na Líbia, invasão dos EUA no Iraque, ataque russo à Ucrânia e destruição de Gaza por Israel.
Questionado sobre uma potencial ajuda energética brasileira a Cuba, Lula apontou que não enviou petróleo e derivados para auxiliar o país caribenho na crise energética porque a medida poderia ter consequências negativas para a Petrobras em Wall Street. “Nossas relações com Cuba são tão boas que os cubanos nos deram a entender: Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil”, disse, acrescentando que pode enviar “medicamentos e alimentos” e que é preciso “ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo”.
Na entrevista, Lula também não confirmou que irá concorrer à reeleição em outubro, condicionando a decisão à convenção do Partido dos Trabalhadores, apesar de admitir que está se “preparando” para a missão. “Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até as 120 anos”, declarou. Sobre a disputa com Flávio Bolsonaro, que apareceu à frente do atual presidente nas pesquisas Datafolha e Quaest, Lula disse que respeitará as urnas caso seja derrotado. “Quando o povo toma uma decisão, seja ela de direita, de esquerda ou do centro, temos de aceitar o resultado.”
Entre os dias 17 e 21 de abril, Lula visitará Espanha, Alemanha e Portugal, no que deve ser sua última grande viagem ao exterior antes das eleições. No próximo domingo, participará junto com o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, da abertura da Feira de Hannover, maior evento de tecnologia industrial do mundo e que terá o Brasil como país-parceiro neste ano.
Com informações de Metrópoles







