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Uma equipe médica anunciou a realização do que seria o primeiro transplante de medula espinhal em um ser humano, em Moscou, na Rússia. O procedimento foi realizado em um paciente adulto que havia sofrido uma lesão medular completa três anos antes da cirurgia.

A intervenção ocorreu no Instituto de Pesquisa de Medicina de Emergência Sklifosovsky e teve duração aproximada de 12 horas. O procedimento foi relatado pelo cirurgião Xiaoping Ren à revista científica New Scientist, em reportagem publicada na quarta-feira (21/10).

Segundo o médico, a equipe substituiu a região lesionada da medula espinhal por um segmento de tecido retirado de um doador com morte encefálica.

A identidade do paciente e a localização exata da lesão não foram divulgadas.

Técnica busca restabelecer comunicação entre cérebro e corpo

A medula espinhal é responsável pela transmissão de impulsos nervosos entre o cérebro e diferentes partes do organismo. Quando ocorre uma lesão grave, essa comunicação pode ser interrompida, provocando perda de movimentos e sensibilidade abaixo da região afetada.

O procedimento realizado na Rússia busca reconstruir essa conexão por meio da substituição do segmento danificado.

De acordo com o relato de Xiaoping Ren, a cirurgia envolveu a remoção do tecido lesionado, a implantação de uma parte da medula do doador e a tentativa de unir as extremidades.

Para realizar essa conexão, os médicos utilizaram técnicas de microcirurgia e polietilenoglicol (PEG), substância investigada por sua capacidade de favorecer a união de membranas celulares.

A expectativa da técnica é permitir que os sinais nervosos voltem a atravessar a região transplantada. Entretanto, para que isso aconteça, é necessário que o tecido implantado permaneça viável e estabeleça conexões funcionais com a medula do receptor.

Recuperação dos movimentos ainda não foi comprovada

Segundo Ren, o paciente apresentava boas condições clínicas após a operação. No entanto, até a divulgação do procedimento, não haviam sido apresentados resultados que demonstrassem recuperação dos movimentos ou da sensibilidade.

A realização da cirurgia, portanto, não significa que a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo tenha sido restabelecida.

Ainda são necessárias avaliações para determinar a viabilidade do tecido transplantado, possíveis complicações e a capacidade de recuperação neurológica do paciente.

O anúncio representa uma tentativa experimental de tratamento para lesões medulares graves, mas sua eficácia ainda não foi demonstrada.

Também não foram divulgados dados clínicos suficientes para confirmar de forma independente os resultados da intervenção ou estabelecer se a técnica poderá ser aplicada futuramente a outros pacientes.

Com informações de Metrópoles
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