Eduardo Valente/PL

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (5), chamando o líder brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário” durante uma entrevista ao canal digital argentino La Casa Streaming. Na mesma ocasião, Milei declarou que espera ver o Brasil “pintado de azul” nas eleições presidenciais de outubro, em referência à cor utilizada por apoiadores da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As declarações ampliam a crise diplomática entre Brasília e Buenos Aires, intensificada nos últimos dias.

Durante a entrevista, o presidente argentino afirmou que uma mudança de governo no Brasil seria positiva para o país e voltou a associar adversários políticos à corrupção e à esquerda. Segundo Milei, “livrar-se dos corruptos ladrões é sempre bom” e “livrar-se dos esquerdistas é sempre bom”, ao comentar o cenário político brasileiro.

Não foi a primeira vez que Milei fez declarações desse tipo. No último domingo (3), o presidente argentino já havia afirmado que o Brasil poderia “mudar o sinal” político nas próximas eleições e destacou que, desde sua chegada à Presidência da Argentina, diversos países da América Latina passaram por mudanças políticas com avanço de governos de direita.

As críticas ao presidente brasileiro também haviam sido feitas no fim de julho, durante um evento em São Paulo que marcou o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, Milei chamou Lula de “ladrão” e “corrupto”, declarações que provocaram uma reação imediata do governo brasileiro.

Em resposta, o Palácio do Planalto determinou a convocação para consultas do embaixador do Brasil em Buenos Aires e também chamou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos, ampliando o desgaste diplomático entre os dois países.

Na entrevista desta terça-feira, Milei voltou a afirmar que Lula não o cumprimentou pela vitória nas eleições presidenciais argentinas de 2023 e acusou o presidente brasileiro de ter atuado politicamente em favor de seu adversário durante a disputa eleitoral.

O líder argentino também repetiu críticas relacionadas aos processos judiciais enfrentados por Lula no passado. Milei voltou a se referir ao presidente brasileiro como “presidiário” e afirmou que ele teria deixado a prisão por causa de um “argumento administrativo”, retomando declarações que já havia feito anteriormente.

Enquanto a tensão aumentava entre os dois governos, integrantes da diplomacia argentina tentaram reduzir o impacto das declarações. Na semana passada, o chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que as divergências entre Milei e Lula fazem parte das diferenças políticas e ideológicas existentes entre os dois governos e não representam um rompimento institucional nas relações bilaterais.

Segundo Quirno, a Argentina não pretende interromper os canais diplomáticos com o Brasil e continuará tratando a relação entre os dois países no âmbito institucional. “Não há nenhuma chance de que do nosso lado se rompa a relação. Nós não a levamos ao plano institucional”, declarou o chanceler.

Apesar das tentativas de reduzir a crise, as declarações de Milei aprofundam um período de atritos entre os governos brasileiro e argentino, marcado por divergências ideológicas e trocas públicas de críticas entre os dois presidentes. Ainda assim, Brasil e Argentina seguem mantendo relações diplomáticas e comerciais, com diálogo entre as instituições responsáveis pelos assuntos bilaterais.

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