
Pelo menos 17 pessoas morreram após um novo ataque da Rússia com mísseis balísticos contra Kiev e áreas vizinhas nesta quarta-feira (5), segundo autoridades ucranianas. A ofensiva provocou incêndios, destruiu centros logísticos e depósitos de grandes empresas do varejo e voltou a expor a dificuldade da Ucrânia em interceptar esse tipo de armamento. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a falta de sistemas de defesa antimísseis contribuiu diretamente para o elevado número de vítimas e renovou o apelo por mais apoio militar dos aliados ocidentais.
Nas últimas semanas, a capital ucraniana passou a enfrentar uma sequência de ataques com mísseis a cada três ou quatro dias, refletindo a intensificação da campanha aérea russa. Além dos danos materiais, as explosões atingiram bairros próximos a áreas industriais e de logística, provocando grandes incêndios e mobilizando equipes de resgate durante toda a madrugada.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 115 drones, 24 mísseis balísticos e quatro mísseis de cruzeiro do tipo Zircon. As defesas aéreas conseguiram derrubar quase 90% dos drones, mas não interceptaram nenhum dos mísseis balísticos nem os mísseis de cruzeiro empregados na ofensiva.
Especialistas apontam que a Ucrânia enfrenta uma escassez de interceptadores para os sistemas Patriot, de fabricação norte-americana, considerados os únicos equipamentos atualmente capazes de neutralizar mísseis balísticos russos antes que atinjam seus alvos. A falta desses sistemas tem aumentado a vulnerabilidade das principais cidades do país diante da intensificação dos bombardeios.
Volodymyr Zelensky afirmou que os principais alvos da ofensiva foram instalações logísticas, depósitos e uma estação ferroviária. Segundo o presidente, uma cervejaria, armazéns de materiais de construção e outras estruturas civis utilizadas pela cadeia de abastecimento foram completamente destruídas pelos ataques.
Em pronunciamento, Zelensky voltou a cobrar rapidez dos países aliados no envio de equipamentos de defesa aérea. Segundo ele, interceptadores de mísseis balísticos poderiam ter evitado parte das mortes registradas durante o ataque. O presidente também afirmou que atrasos na entrega desses sistemas aumentam os prejuízos humanos e materiais provocados pelos bombardeios russos.
Enquanto enfrenta os ataques em seu território, a Ucrânia também ampliou as operações contra alvos estratégicos na Rússia. Durante a madrugada, drones ucranianos atingiram um centro logístico da varejista online Wildberries, dando continuidade à estratégia de atacar estruturas ligadas ao abastecimento e à infraestrutura russa.
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou ataques contra sete centros logísticos em Kiev e na região metropolitana. Moscou alegou que as instalações eram utilizadas para armazenar mercadorias de dupla utilização e componentes destinados à fabricação de drones militares. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia afirmam que não têm civis como alvo de suas operações militares, embora os ataques continuem causando mortes e destruição em áreas urbanas desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Entre as empresas afetadas está a Epicentr, maior rede ucraniana de materiais de construção e bricolagem. A companhia informou que duas de suas principais instalações logísticas, além de uma fábrica, foram destruídas em poucos minutos durante os bombardeios. A empresa afirmou que ainda avalia a dimensão total dos prejuízos, mas classificou a ofensiva como um ataque direto à infraestrutura econômica do país.
“Este é um ataque deliberado à indústria, à logística, aos empregos e à capacidade de recuperação da Ucrânia”, declarou a Epicentr em comunicado.
Outra empresa atingida foi a Rozetka, uma das maiores varejistas online da Ucrânia. A cofundadora da companhia, Iryna Chechotkina, relatou que assistiu ao principal centro logístico da empresa ser destruído por três mísseis balísticos durante a madrugada.
Em uma publicação nas redes sociais, ela descreveu o impacto emocional provocado pela destruição das instalações. Apesar das perdas, afirmou que a empresa continuará operando e buscando alternativas para manter o atendimento aos clientes.
Os novos ataques também aumentam a pressão sobre a economia ucraniana. Mesmo após mais de quatro anos de guerra, o país conseguiu manter parte de sua atividade econômica graças ao apoio financeiro bilionário recebido de aliados ocidentais. No entanto, autoridades reconhecem que, em 2026, os prejuízos ao setor produtivo e às cadeias de abastecimento têm crescido de forma significativa.
Diante da destruição de importantes centros de distribuição, o primeiro-ministro Sergii Koretskyi informou que convocou uma reunião de emergência com representantes do setor empresarial para discutir medidas que garantam o funcionamento das empresas de logística, comércio e abastecimento. O objetivo é minimizar os impactos dos ataques e preservar o fornecimento de produtos essenciais em diferentes regiões da Ucrânia enquanto a guerra continua.







