
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a condenação do influenciador Renato Cariani pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O processo entrou na fase de alegações finais, etapa que antecede a decisão judicial.
Após a apresentação das alegações finais pelo Ministério Público, as defesas dos réus deverão ser intimadas para apresentar suas manifestações. Conforme as informações divulgadas, o prazo para a entrega é de 30 dias.
Em nota enviada à CNN Brasil, a defesa de Cariani afirmou que recebeu o pedido de condenação com naturalidade e que a manifestação do órgão acusador corresponde à posição sustentada desde o início do processo.
“Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa”, declarou a defesa.
Os advogados acrescentaram que irão contestar os argumentos apresentados pela acusação com base nas provas produzidas durante a instrução processual. A defesa também afirmou confiar em um julgamento justo e manifestou convicção de que Cariani será absolvido.
Relembre a investigação
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público, tornando Cariani réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
O caso é resultado da Operação Heinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. A investigação apura suspeitas de que a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, da qual Cariani e a empresária Roseli Dorth são sócios, teria fornecido insumos químicos utilizados na produção de drogas e dissimulado as vendas por meio de notas fiscais.
Segundo a denúncia, o esquema teria funcionado entre 2014 e 2020. Nesse período, a empresa teria emitido documentos fiscais fraudulentos para simular a comercialização de produtos destinados a indústrias farmacêuticas, incluindo a AstraZeneca.
Durante a apuração, a farmacêutica informou que não havia comprado os produtos da empresa, informação que levantou suspeitas entre os investigadores.
Investigação aponta desvio de 12 toneladas de produtos químicos
De acordo com a investigação, o esquema envolveria pessoas que realizavam depósitos em dinheiro para fornecedores, simulando pagamentos feitos por funcionários de empresas farmacêuticas. Os investigadores apontam que os insumos eram posteriormente desviados para uso no refino e na adulteração de cocaína e crack.
A apuração identificou 60 transações consideradas dissimuladas e estima que cerca de 12 toneladas de produtos químicos teriam sido desviadas. Entre as substâncias mencionadas estão fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila.
Conforme a estimativa apresentada na investigação, os produtos poderiam ser utilizados na fabricação de mais de 15 toneladas de cocaína e crack.
Além de Cariani, outras quatro pessoas também respondem ao processo pelos crimes apontados na denúncia.
Com a apresentação das alegações finais pelas partes, o processo se aproxima da etapa de julgamento. O pedido de condenação do Ministério Público não representa uma decisão definitiva, e a responsabilidade dos acusados ainda deverá ser analisada pelo Poder Judiciário.







