
A Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas no inquérito que investiga supostas fraudes em operações entre o Banco Master e o BRB.
Os indiciamentos constam de um relatório parcial com mais de 700 páginas, encaminhado nesta quarta-feira (28) ao Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo documento, a PF solicitou a prorrogação das investigações por mais 60 dias para realizar perícias e concluir diligências pendentes.
De acordo com os investigadores, o BRB adquiriu aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Banco Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos comercializados sem comprovação de existência, segundo a apuração.
A suspeita é de que créditos fictícios tenham sido utilizados para sustentar operações de grande volume financeiro e manter a circulação de recursos em direção ao Banco Master.
O relatório descreve diferentes frentes que, segundo a PF, estariam interligadas, incluindo operações de compra, recompra e substituição de créditos, transações relacionadas a aumentos de capital do BRB e a tentativa de aquisição do Banco Master pela instituição pública de Brasília.
Vorcaro é apontado como centro de comando do esquema
Daniel Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
No relatório, a Polícia Federal descreve o ex-controlador do Banco Master como o “principal centro de comando, coordenação e decisão” da estrutura investigada.
Já Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. Conforme a investigação, o ex-presidente do BRB teria atuado como articulador das operações dentro da instituição, utilizando as atribuições do cargo para viabilizar a continuidade dos negócios estruturados por Vorcaro.
As conclusões fazem parte de uma investigação em andamento e não representam condenações judiciais.
Veja quem foi indiciado pela Polícia Federal
Além de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, o relatório aponta outras 13 pessoas:
- Daniel Bueno Vorcaro, ex-controlador do Banco Master;
- Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do BRB;
- Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro;
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Banco Master;
- Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master;
- Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Banco Master;
- Allan da Silva Machado, ligado à estrutura operacional do Master;
- Henrique Souza e Silva Peretto, ligado à Tirreno;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ligado à Tirreno;
- Daniel Lopes Monteiro, advogado que atuou na estruturação das operações;
- Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor do BRB;
- Luana de Andrade Ribeiro, ex-integrante da diretoria do BRB;
- Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-integrante da diretoria do BRB;
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-integrante da diretoria do BRB;
- José Maria Correa Dias Junior, ex-integrante da diretoria do BRB.
A Polícia Federal informou que os indiciamentos formalizados correspondem às condutas que considera suficientemente consolidadas até o momento. O relatório é parcial, e outras medidas investigativas ainda estão pendentes.
Relembre a Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de emissão de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.
No caso do Banco Master, a PF aponta Vorcaro como suspeito de liderar o grupo e coordenar operações envolvendo carteiras de crédito.
Em 18 de novembro de 2025, o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Após quase uma semana detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos.
Cerca de dez dias depois da prisão, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou que Vorcaro e outros quatro executivos do Master deixassem o presídio e passassem a cumprir medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico e prisão domiciliar.
Após quase quatro meses sob essas medidas, o ex-banqueiro foi preso novamente em 4 de março, por determinação do ministro do STF André Mendonça. A nova prisão ocorreu diante da suspeita de que ele estaria tentando interferir nas investigações sobre o Banco Master.







