Monique Medeiros foi perdoada pela morte do filho Henry Borel • Brunno Dantas/TJRJ

Monique Medeiros deixou a Penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na tarde desta quinta-feira (4), após receber perdão judicial no julgamento do caso Henry Borel.

A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

O julgamento pela morte de Henry Borel, de 4 anos, foi concluído na madrugada desta quinta-feira. O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade de Monique por tortura por omissão e desclassificou a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo. Apesar disso, a mãe do menino recebeu o benefício do perdão judicial e não cumprirá pena.

Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão

Na mesma decisão, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão.

Os jurados consideraram Jairinho culpado por homicídio duplamente qualificado e por um dos crimes de tortura atribuídos a ele durante o processo.

Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos, em um caso que ganhou repercussão nacional e mobilizou autoridades e a opinião pública em todo o país.

O que é o perdão judicial?

O perdão judicial é um instituto previsto na legislação penal brasileira que permite ao magistrado deixar de aplicar uma pena mesmo após o reconhecimento da prática de um crime.

Embora a decisão afaste a punição, ela não elimina a responsabilização penal reconhecida pelo Tribunal do Júri.

No caso de Monique, o Conselho de Sentença afastou a acusação de homicídio doloso e reconheceu a prática de homicídio culposo, além da omissão diante das agressões sofridas por Henry.

Com a concessão do perdão judicial, a condenação deixa de produzir efeitos executórios, encerrando a possibilidade de cumprimento de pena pela acusada.

Juíza considerou consequências já sofridas por Monique

Ao fundamentar a decisão, a juíza Elizabeth Machado Louro entendeu que as consequências pessoais e sociais enfrentadas por Monique ao longo dos últimos cinco anos ultrapassaram os objetivos que seriam alcançados por uma sanção penal.

Entre os fatores considerados pela magistrada estão a perda do único filho, a ampla repercussão nacional do caso, as agressões sofridas durante o período em que esteve presa e a intensa exposição pública enfrentada desde a morte de Henry.

Segundo a sentença, Monique foi submetida a uma reação social de grandes proporções, influenciada também pelas expectativas culturalmente associadas ao papel materno.

Decisão ainda pode ser questionada

Apesar do encerramento do julgamento em primeira instância, a decisão não impede que as partes apresentem recursos às instâncias superiores.

O caso Henry Borel tornou-se um dos processos criminais de maior repercussão do país nos últimos anos e continua sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelos familiares da vítima.

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