
A manifestação ocorreu durante uma audiência pública do Departamento de Parques e Vida Selvagem do Texas, realizada na quarta-feira (19), em Austin. Os participantes pediram que o órgão estadual pressione o governo federal para impedir intervenções consideradas desnecessárias na região.
As obras fazem parte do plano do governo do presidente Donald Trump para reforçar a segurança na fronteira entre Estados Unidos e México. Entre as medidas previstas estão barreiras para veículos, estradas de patrulhamento e estruturas de aço em áreas próximas ao Parque Nacional Big Bend e ao Parque Estadual Big Bend Ranch.
Obras foram suspensas temporariamente
A audiência ocorreu dois dias depois de o chefe da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), Rodney Scott, anunciar a suspensão temporária das obras no parque nacional.
Segundo autoridades locais que participaram de uma reunião com Scott, os trabalhos devem permanecer paralisados por pelo menos duas semanas. O chefe da CBP também teria indicado que poderá reconsiderar a construção de novas estradas de patrulhamento e avaliar o uso das vias já existentes.
A agência afirmou que não pretende construir um muro tradicional dentro do Parque Nacional Big Bend. Entretanto, barreiras para veículos e outras estruturas de segurança continuam previstas em pontos estratégicos.
Ambientalistas temem danos ao ecossistema
Durante a audiência, moradores e organizações ambientais alertaram que obras como estradas, barreiras, escavações e iluminação podem alterar o deslocamento de animais e provocar impactos permanentes na paisagem.
O diretor executivo da Texas Conservation Alliance, Grahame Jones, afirmou que a região representa mais do que uma área protegida, envolvendo comunidades, o Rio Grande, terras públicas, locais considerados sagrados, fazendas e áreas de preservação.
Empresários ligados ao turismo também demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre atividades de lazer e acesso ao rio.
Projeto prevê bilhões de dólares em investimentos
O plano de segurança na região de Big Bend faz parte de um projeto federal mais amplo. As estimativas citadas apontam que o conjunto das obras poderá custar mais de US$ 7 bilhões, incluindo barreiras, estradas de patrulhamento e outras estruturas.
Na área próxima ao parque nacional, a CBP prevê aproximadamente 320 quilômetros de estradas de patrulhamento e cerca de 27 quilômetros de barreiras para veículos.
Fora dos limites do parque, os planos incluem centenas de quilômetros de barreiras de pilares de aço, com aproximadamente 9 metros de altura, em áreas dos condados de Hudspeth, Jeff Davis e Presidio.
Projeto enfrenta ações judiciais
As obras também são alvo de disputas na Justiça. O governo federal dispensou o cumprimento de mais de 30 leis e regulamentos para acelerar os trabalhos no Texas, incluindo normas relacionadas à proteção de espécies ameaçadas e de sítios arqueológicos.
Pelo menos quatro ações judiciais foram apresentadas contra as obras e as dispensas legais. Dois pedidos urgentes de suspensão dos trabalhos foram protocolados na Justiça Federal na última semana.
O governo do Texas também contestou intervenções realizadas em terras estaduais. A comissária de Terras, Dawn Buckingham, afirmou que parte das atividades não havia sido autorizada e exigiu a interrupção dos trabalhos.
Região de Big Bend
Localizada no extremo oeste do Texas, a região de Big Bend é marcada por montanhas, áreas desérticas e pelo Rio Grande, que estabelece parte da fronteira entre os Estados Unidos e o México.
O Parque Nacional Big Bend possui cerca de 324 mil hectares e recebeu mais de meio milhão de visitantes em 2025. O local é conhecido por trilhas, observação de aves, atividades no rio e pelo céu noturno, considerado um dos mais preservados para observação astronômica.
A região também apresenta um dos menores índices de detenções de imigrantes na fronteira dos EUA, devido ao terreno acidentado e de difícil acesso.
Apesar da suspensão temporária, ambientalistas e moradores permanecem cautelosos. Eles temem que as obras sejam retomadas após o período de negociação e defendem que o governo busque alternativas tecnológicas para reforçar a segurança sem provocar alterações permanentes na paisagem.







