O presidente Donald Trump observa enquanto Natalie Harp, uma assessora, posiciona um computador que exibia uma reportagem sobre o mercado de ações durante uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em 30 de maio de 2025 • Francis Chung/Pool/Sipa USA via Newsource

Anos antes de se tornar uma das assessoras próximas de Donald Trump na Casa Branca, Natalie Harp já demonstrava forte apoio ao presidente nas redes sociais. Uma análise de publicações antigas feita pela CNN mostra que ela publicou mais de 150 mensagens no X, antigo Twitter, durante 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump invadiram o Capitólio dos Estados Unidos.

Naquele dia, o Congresso se reunia para certificar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020. O processo foi interrompido depois que uma multidão de apoiadores de Trump invadiu o prédio do Congresso.

Harp, que tinha 29 anos na época e trabalhava como apresentadora da One America News Network (OANN), publicou mensagens defendendo o então presidente e contestando a legitimidade da eleição.

Em uma das publicações, ela escreveu repetidamente “LUTEM PELO TRUMP!” e afirmou que Washington era “território de Trump”. Também chamou os manifestantes reunidos na capital americana de “patriotas” e incentivou republicanos a demonstrarem coragem diante da mobilização.

Harp defendeu narrativa de fraude eleitoral

Antes mesmo da invasão do Capitólio, Harp havia divulgado mensagens afirmando que a eleição havia sido fraudada.

Dias antes de 6 de janeiro, ela escreveu que “a verdade” estava do lado de Trump e convocou seus seguidores para a manifestação que ocorreria em Washington.

Após a invasão do Capitólio, Harp compartilhou mensagens afirmando que os invasores não eram apoiadores de Trump e repercutiu alegações falsas de que integrantes do movimento Antifa teriam se infiltrado na multidão.

Ela também compartilhou mensagens de Trump pedindo que os manifestantes deixassem o local.

Horas depois, quando o ataque obrigou o Congresso a interromper a certificação dos votos do Colégio Eleitoral, Harp voltou a repercutir declarações de aliados de Trump sobre possíveis estratégias jurídicas para contestar o resultado eleitoral.

A postura continuou durante a votação das objeções apresentadas por parlamentares republicanos. Harp elogiou políticos como Jody Hice, Marjorie Taylor Greene e Josh Hawley, além dos senadores que votaram contra a certificação dos resultados de estados como o Arizona.

No dia seguinte, após Trump reconhecer que uma nova administração assumiria o governo, Harp compartilhou uma mensagem do presidente dizendo que a “jornada” continuava. Pouco depois, escreveu: “Nós amamos você, Presidente @realDonaldTrump!”

Relação de lealdade começou antes de 2021

Segundo a análise das publicações, o apoio de Harp a Trump remonta pelo menos a 2016.

Durante o primeiro mandato do republicano, ela publicou mensagens de defesa ao presidente e chegou a utilizar versículos bíblicos em publicações relacionadas a Trump.

Em 2019, durante o processo de impeachment do presidente, Harp publicou mensagens religiosas em defesa dele.

Após a eleição de 2020, também contestou publicamente a vitória de Biden. Em uma publicação de dezembro daquele ano, escreveu: “ISTO É UM GOLPE”.

A conta de Harp no X atualmente aparenta estar suspensa. Não está claro quando a conta foi retirada do ar nem se a decisão partiu da própria assessora ou da plataforma.

Assessora ganhou espaço na Casa Branca

Harp posteriormente se tornou uma assessora próxima de Trump durante o segundo mandato presidencial. Embora tenha atuado principalmente nos bastidores, ela passou a receber maior atenção pública recentemente.

A assessora é conhecida como “gatekeeper” de Trump, por controlar o acesso ao presidente, e trabalha próxima ao Salão Oval.

Funcionários também teriam dado a ela o apelido de “Human Printer”, em referência ao hábito de imprimir reportagens e informações consideradas favoráveis a Trump para entregar ao presidente.

O professor de ciência política David B. Cohen, da Universidade de Akron, afirmou que as publicações demonstram um alto grau de lealdade ao presidente.

“Ela provou ser uma assessora e funcionária totalmente leal e bajuladora”, afirmou o pesquisador, segundo a CNN.

Cartas atribuídas a Harp aumentam atenção sobre relação com Trump

A relação entre Harp e Trump também passou a ser discutida após o Daily Beast publicar duas cartas supostamente escritas pela assessora ao presidente.

Segundo o veículo, as mensagens teriam sido enviadas em 2023, durante ou depois de uma viagem de Trump à Escócia e à Irlanda.

Em uma das cartas, atribuída a Harp, ela teria chamado Trump de “guardião e protetor” e escrito que ele era “tudo” o que importava para ela.

A CNN, porém, não confirmou de forma independente a autenticidade das cartas.

Em outro trecho divulgado pelo Daily Beast, a assessora teria pedido desculpas ao presidente e demonstrado preocupação com a relação entre os dois. A mensagem terminaria com a assinatura: “Com todo o meu coração, Natalie.”

O biógrafo de Trump, Michael Wolff, afirmou ao Daily Beast que as cartas teriam sido encontradas entre documentos impressos que Harp entregava ao presidente.

Irmão afirma que Harp tinha histórico de escrever para presidentes

O assunto ganhou ainda mais repercussão depois que o senador democrata Jon Ossoff mencionou Harp em críticas a Trump.

Dias depois, o irmão da assessora concedeu entrevista à CNN e afirmou que ela teria uma espécie de obsessão por figuras presidenciais desde a adolescência.

Segundo ele, Harp já teria escrito cartas para outros presidentes antes de Trump, citando George W. Bush como exemplo.

Nem Harp nem a Casa Branca responderam aos pedidos de comentário da CNN sobre as antigas publicações e as cartas atribuídas à assessora.

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