Prefeito de Humaitá, Dedei Lobo, foi citado em decisão do Ministério Público do Amazonas que instaurou uma Notícia de Fato para apurar denúncia de supostas irregularidades na folha de pagamento da Secretaria Municipal de Saúde. O MP ressalta que a investigação é preliminar e que a instauração do procedimento não representa conclusão de culpa.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou uma Notícia de Fato para investigar uma denúncia anônima que aponta a existência de um suposto esquema de rachadinha, pagamentos irregulares, servidores com possíveis jornadas incompatíveis e eventual desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Saúde de Humaitá. A decisão, assinada pelo promotor de Justiça Weslei Machado, foi publicada na segunda-feira (20)no Diário Oficial Eletrônico do MPAM e determina uma ampla apuração sobre a gestão da folha de pagamento da saúde municipal.

Entre os nomes mencionados na decisão está o prefeito de Humaitá, José Cidenei Lobo do Nascimento, o Dedei Lobo, apontado na denúncia anônima como integrante da suposta estrutura de comando do esquema investigado. O documento, entretanto, enfatiza que as alegações têm origem em comunicação apócrifa e que a instauração do procedimento não representa reconhecimento de culpa ou responsabilização de qualquer dos citados, servindo apenas para verificar se os fatos possuem fundamento.

MP vê gravidade nas acusações e determina investigação detalhada

Na decisão, o Ministério Público destaca que, embora a denúncia seja anônima, ela apresenta fatos específicos, nomes, cargos e circunstâncias que justificam a abertura de uma investigação preliminar.

Segundo o promotor, caso sejam confirmadas irregularidades como pagamentos por serviços não prestados, jornadas fictícias, acúmulo incompatível de cargos ou retenção de parte dos salários dos servidores — prática conhecida como “rachadinha” — poderá haver não apenas prejuízo ao erário, mas também impactos diretos na qualidade da assistência prestada à população de Humaitá.

O documento ressalta que recursos destinados à saúde pública, se desviados ou utilizados de forma irregular, deixam de financiar consultas, medicamentos, plantões médicos e o funcionamento das unidades de atendimento.

Dedei Lobo é citado como possível integrante da estrutura investigada

Ao delimitar o objeto da investigação, a decisão estabelece que serão apurados os responsáveis pela elaboração, conferência, autorização e pagamento da folha salarial da Secretaria Municipal de Saúde.

Nesse contexto, o MP determina a apuração da atuação da secretária municipal de Saúde, Sara dos Santos Riça, de servidoras apontadas como responsáveis pela elaboração da folha e também do prefeito Dedei Lobo, citado na denúncia como possível ocupante da posição superior de comando da estrutura investigada.

A investigação buscará identificar quem possui acesso aos sistemas de pagamento, quem autoriza as despesas, quem transmite os arquivos bancários e quem exerce controle sobre os recursos do Fundo Municipal de Saúde.

Profissionais da saúde também serão investigados

Além dos gestores públicos, a Notícia de Fato determina a verificação da situação funcional de diversos profissionais da rede municipal de saúde.

O Ministério Público pretende analisar vínculos empregatícios, cargas horárias, escalas de plantão, frequência, produção médica, compatibilidade entre cargos públicos e privados, além da regularidade das remunerações recebidas.

A decisão ressalta, porém, que vínculos familiares, pessoais ou políticos mencionados na denúncia não configuram, por si só, qualquer irregularidade, sendo necessária a comprovação de eventual favorecimento ou prática ilícita.

Caso poderá ter repercussão criminal

Outro ponto de destaque da decisão é a determinação para que uma cópia integral do procedimento seja encaminhada à Procuradoria-Geral de Justiça.

Como a denúncia atribui possível participação ao prefeito Dedei Lobo em fatos que teriam ocorrido durante o exercício do mandato, o MP entende que poderá haver repercussão criminal, caso sejam reunidos elementos que indiquem crimes contra a Administração Pública.

O procedimento também será comunicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) e ao Ministério Público de Contas, para eventual realização de auditorias e análise da regularidade da execução dos recursos da saúde municipal.

Investigação seguirá na 2ª Promotoria de Humaitá

A decisão determina que a Notícia de Fato seja distribuída à 2ª Promotoria de Justiça de Humaitá, especializada na fiscalização da saúde pública, que ficará responsável pelas diligências.

Entre as medidas previstas estão a obtenção das folhas de pagamento, análise de registros biométricos, escalas de trabalho, contratos, ordens bancárias, cruzamento de vínculos públicos e privados, além da verificação da efetiva prestação dos serviços pelos profissionais remunerados.

O Ministério Público reforça que a investigação tem caráter preliminar e que todas as acusações dependerão de provas independentes para eventual responsabilização civil ou criminal dos envolvidos.

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