
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) vai buscar a responsabilização penal individual dos policiais militares envolvidos no motim registrado entre a tarde de terça-feira (1º) e a madrugada desta quarta-feira (2), na Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM), localizada na BR-174, zona rural de Manaus.
A afirmação é do promotor de Justiça da Auditoria Militar, Igor Starling, que destacou que o MPAM acompanhou a ocorrência desde o início e será destinatário das provas produzidas tanto nas sindicâncias internas quanto no Inquérito Policial Militar (IPM).
Segundo Starling, a apuração deverá identificar a participação de cada envolvido e verificar eventuais crimes praticados durante a rebelião.
“O Ministério Público vai ser o destinatário de toda essa prova que vai ser construída durante as investigações”, afirmou.
O promotor foi ainda mais direto ao tratar da responsabilização dos envolvidos. Segundo ele, o material produzido será analisado pelo MP para “ir atrás da responsabilidade penal de cada um ali pela sua participação no evento”.
MP acompanhou negociações durante o motim
Igor Starling explicou que o Ministério Público foi comunicado assim que começaram as ocorrências e acompanhou o desenrolar das negociações por intermédio das autoridades que estavam no local.
De acordo com o promotor, foram mobilizadas tropas especializadas e equipes de negociação. A atuação terminou sem maiores incidentes e com a preservação da integridade física dos presos e dos reféns.
“O Ministério Público foi comunicado logo que iniciaram as ocorrências, bem como durante o tempo de todas as negociações”, explicou.
Starling informou que, neste momento, o MPAM acompanha as providências adotadas pela autoridade responsável pelas investigações e aguarda a conclusão dos procedimentos.
Segundo ele, não há, até agora, indicação de necessidade de o Ministério Público instaurar uma investigação paralela.
“Se necessário for — até o momento não transparece ser necessário —, a gente atua em conjunto ou paralelamente às autoridades”, disse.
Promotor descarta volta para antiga unidade: “Não vejo plausibilidade”
Outro ponto de destaque da manifestação do promotor foi a resposta às reivindicações feitas pelos policiais presos durante as negociações do motim.
Entre os pedidos apresentados estava o retorno para a antiga unidade prisional militar.
Igor Starling, porém, praticamente descartou essa possibilidade. Para o promotor, a antiga estrutura é insalubre e não oferece condições adequadas de segurança.
“O outro presídio é insalubre. O outro presídio que eles estavam não garante nem a questão da segurança externa, nem a da segurança interna”, afirmou.
Starling defendeu as condições oferecidas pela atual UPPM, ressaltando que a unidade é nova, reformada e possui estrutura mais adequada tanto para manter os detentos sob custódia quanto para garantir seus direitos.
“O presídio atual é novo, é reformado, ele tem muito mais condições que o outro”, destacou.
Ao ser questionado sobre uma eventual revisão da transferência, o promotor afastou essa possibilidade no cenário atual.
“Neste momento, não se tem nenhuma perspectiva de alteração. O retorno para o anterior, para o núcleo prisional militar, não vejo plausibilidade”, declarou.
MP vai apurar responsabilidade penal de PMs envolvidos em motim e promotor descarta retorno a antigo presídio pic.twitter.com/Us31De7Cj2
— Fato Amazônico (@fatoamazonico) September 3, 2026
Investigações vão definir participação de cada preso
Com o encerramento do motim, as investigações entram agora em uma nova fase. As autoridades militares deverão reunir depoimentos, imagens, documentos e demais elementos relacionados ao episódio para esclarecer como a ação foi organizada e qual teria sido a participação individual dos envolvidos.
Conforme explicou Igor Starling, tanto as sindicâncias realizadas internamente quanto o Inquérito Policial Militar serão encaminhados ao Ministério Público.
A partir desse conjunto de provas, caberá ao MPAM analisar se existem elementos suficientes para adoção das medidas criminais cabíveis contra os envolvidos.
A manifestação do promotor também sinaliza que uma das principais reivindicações apresentadas durante o motim — o retorno dos policiais presos à antiga unidade militar — não encontra, neste momento, respaldo do Ministério Público.







