
Uma comissão independente de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou, nesta segunda-feira (26), que Israel continuou cometendo atos de genocídio na Faixa de Gaza mesmo após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em outubro de 2025. O relatório analisa violações contra crianças palestinas desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023, até setembro de 2026.
Segundo o documento da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel, as autoridades israelenses teriam mantido ações com intenção de destruir, total ou parcialmente, a população palestina de Gaza.
O relatório também aponta uma deterioração da situação na Cisjordânia ocupada, onde a comissão identificou aumento das mortes de palestinos e deslocamentos em larga escala.
As conclusões dão continuidade a um relatório divulgado em setembro de 2025, no qual a comissão já havia acusado Israel de cometer genocídio em Gaza e apontado declarações de autoridades de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, consideradas incitação a esses atos.
Israel rejeita acusações da ONU
A missão israelense em Genebra contestou as conclusões do novo relatório e afirmou que o documento faz parte de uma campanha de desinformação destinada a prejudicar a imagem do país.
Em comunicado, o embaixador israelense Daniel Meron declarou que a atuação da comissão busca enfraquecer a legitimidade de Israel e questionar seu direito de existir e de se defender.
O posicionamento representa a resposta oficial de Israel às acusações apresentadas pelos investigadores da ONU.
Relatório aponta continuidade de ataques durante cessar-fogo
A comissão afirmou que as forças israelenses continuaram utilizando munições pesadas, drones, quadricópteros, artilharia e atiradores em áreas densamente povoadas de Gaza durante o cessar-fogo.
Outro ponto destacado é a chamada “Linha Amarela”, apresentada como uma demarcação temporária do acordo. Segundo os investigadores, a linha estaria avançando cada vez mais para dentro do território palestino, assumindo características de uma fronteira de fato e ampliando o controle territorial israelense sobre partes de Gaza.
Autoridades palestinas afirmam que mais de 74 mil pessoas morreram em decorrência dos ataques israelenses desde o início da guerra. O conflito começou após integrantes do Hamas e de outros grupos armados matarem cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023, segundo os números citados no material.
Mortes e deslocamentos aumentam na Cisjordânia
O documento também descreve uma deterioração significativa da situação na Cisjordânia ocupada. Segundo a comissão, o número de palestinos mortos em ataques aéreos aumentou de seis, entre 2008 e 6 de outubro de 2023, para 254 no período entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026.
O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que mortes intencionais de civis palestinos e a destruição de residências fazem parte de uma estratégia mais ampla de deslocamento da população.
As operações militares iniciadas em janeiro de 2025 teriam provocado o maior deslocamento de palestinos na Cisjordânia desde 1967. De acordo com o relatório, 34.176 palestinos permaneciam deslocados em agosto de 2026.
Os dados reforçam a preocupação da comissão com a situação humanitária nos territórios palestinos e com os efeitos das operações militares sobre a população civil.
Comissão também critica Autoridade Palestina
O relatório não se limita às ações israelenses. A comissão também criticou a Autoridade Palestina, acusando-a de perseguir pessoas que expressam opiniões divergentes.
Segundo o documento, jornalistas e defensores dos direitos humanos também foram mortos ou feridos em meio à deterioração das condições de segurança e dos direitos fundamentais.
As conclusões integram as investigações internacionais sobre possíveis violações cometidas durante o conflito e seus desdobramentos. A classificação jurídica dos atos como genocídio é objeto de disputas e processos internacionais, enquanto Israel rejeita as acusações apresentadas pela comissão.







