KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

A operação da Polícia Federal (PF) contra o senador e presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira, abriu uma nova crise nos bastidores da direita e aumentou a tensão entre aliados do bolsonarismo em meio às articulações para as eleições de 2026.

Nesta quinta-feira (7), a PF deflagrou mais uma fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Durante a ação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis relacionados ao senador e também ao irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

Nos bastidores de Brasília, a investigação provocou reações imediatas tanto entre aliados do governo quanto na oposição. Enquanto integrantes da direita atuam para evitar que o caso atinja a articulação política do campo conservador para 2026, governistas passaram a associar o episódio ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como um dos principais nomes do bolsonarismo para a próxima corrida presidencial.

Governo tenta ligar investigação ao bolsonarismo

Parlamentares ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Além disso, aliados do governo passaram a utilizar nas redes sociais a expressão “BolsoMaster”, numa tentativa de relacionar integrantes do Centrão, figuras do antigo governo Bolsonaro e as suspeitas investigadas pela PF.

A avaliação dentro da base governista é de que a operação pode gerar desgaste não apenas para Ciro Nogueira, mas também atingir a construção política em torno de Flávio Bolsonaro.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou uma mensagem nas redes sociais associando Flávio e Ciro ao caso investigado.

“O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de 300 mil do Master. Precisa desenhar?”, escreveu o ministro.

Oposição tenta conter desgaste político

Do lado da oposição, aliados de Flávio Bolsonaro trabalham para impedir que a investigação avance sobre o núcleo bolsonarista. A avaliação entre interlocutores do senador é de que, apesar do desgaste político provocado pela operação, ainda não há elementos que liguem diretamente Flávio às suspeitas apuradas pela Polícia Federal.

O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva, afirmou que qualquer irregularidade deve ser investigada, mas minimizou possíveis impactos eleitorais.

“Quem rouba paga. E paga caro, quem quer que seja. Não passamos pano para ninguém”, declarou o parlamentar.

Em nota, Flávio Bolsonaro disse confiar nas investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que o caso seja apurado “com rigor e transparência”, sem mencionar diretamente o nome de Ciro Nogueira.

Ciro articula espaço na direita para 2026

Ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira também já integrou a base de apoio dos governos petistas, incluindo a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff.

Nos últimos meses, o senador vinha adotando uma postura considerada mais pragmática dentro da direita e defendendo uma aproximação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto por aliados como alternativa competitiva para a eleição presidencial de 2026.

A movimentação gerou desconforto entre setores mais alinhados ao núcleo bolsonarista. Em Santa Catarina, por exemplo, divergências surgiram após aliados de Bolsonaro resistirem a um acordo que previa apoio ao senador Esperidião Amin. Com a pressão da ala bolsonarista, ganhou força a possibilidade de uma chapa exclusivamente do PL, com a deputada Caroline de Toni e o vereador Carlos Bolsonaro.

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