Comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz apresenta balanço da força-tarefa montada para localizar vítimas do naufrágio no Encontro das Águas.

A mobilização para localizar as vítimas do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV avançou para uma etapa ainda mais sensível neste domingo (15). Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, as equipes já percorreram mais de 10 quilômetros na região do Encontro das Águas, em uma operação marcada por desafios naturais extremos e limitações técnicas impostas pelo próprio rio.

A embarcação partiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte quando acabou naufragando na sexta-feira (13). Até agora, duas mortes foram confirmadas — uma criança e uma jovem de 22 anos. Outras sete pessoas seguem desaparecidas, enquanto 71 passageiros conseguiram ser resgatados com vida.

De acordo com o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Orleilso Muniz, o cenário exige estratégias múltiplas. As correntes irregulares, a profundidade elevada e a diferença de temperatura entre as águas dos rios Rio Negro e Rio Solimões tornam o deslocamento dos corpos imprevisível, dificultando a definição de áreas prioritárias.

Para ampliar a precisão das buscas, a corporação passou a utilizar equipamentos de alta tecnologia, como sonar Side Scan, detector de metais Próton 5 e um ROV — veículo subaquático operado remotamente — empregados na varredura do fundo do rio antes da entrada dos mergulhadores. No sábado (14), os Bombeiros confirmaram que conseguiram delimitar o ponto onde a embarcação está submersa.

 

A força-tarefa também ganhou reforço externo. Uma equipe especializada do Grupamento de Bombeiros Marítimo do estado de São Paulo, formada por seis militares, incluindo um capitão, foi integrada à operação para fortalecer o trabalho técnico.

Outro fator considerado pelas equipes é o tempo decorrido desde o acidente. Passadas 48 horas, cresce a possibilidade de que corpos venham à superfície, o que levou ao aumento do efetivo dedicado às buscas em áreas abertas do rio.

Além das dificuldades naturais, a ausência da lista oficial de passageiros tem complicado a identificação precisa dos desaparecidos. Segundo o comando da operação, os nomes atualmente trabalhados foram informados exclusivamente por familiares.

“Não podemos tratar nenhuma relação como oficial sem a lista de embarque. Estamos atuando com base nos relatos apresentados, que apontam sete pessoas ainda não localizadas”, explicou Muniz.

As condições climáticas do chamado verão amazônico também impactam diretamente o ritmo das buscas, com mudanças repentinas de vento e visibilidade reduzida. Mesmo assim, as equipes seguem atuando de forma contínua em meio à vegetação fechada e às águas turvas, enquanto familiares acompanham apreensivos cada atualização do resgate.

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