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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Quéops para desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio de uma falsa plataforma de investimentos. A ação resultou no cumprimento de três mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul e Amazonas. Em Manaus, um homem apontado como responsável pela movimentação financeira do grupo foi preso.

As ordens judiciais foram executadas em Santa Maria (RS), onde estariam os líderes do esquema, e na capital amazonense, que também foi alvo de buscas e apreensões. Segundo a PCDF, a operação exigiu planejamento específico em Manaus devido à atuação da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região onde a ação foi realizada.

De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa envolvida em crimes de pirâmide financeira, estelionato eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A operação foi coordenada pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais da Coordenação de Repressão às Fraudes (DCV/CORF).

As investigações tiveram início após uma vítima do Distrito Federal denunciar prejuízos financeiros causados por investimentos realizados em uma plataforma que se apresentava como uma empresa internacional especializada em aplicações de alta rentabilidade.

Segundo a polícia, os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social para conquistar a confiança das vítimas. Os investidores eram convencidos a instalar programas de acesso remoto em seus computadores, permitindo que os golpistas controlassem os equipamentos e simulassem operações em plataformas falsas de investimentos.

Durante o esquema, as vítimas eram incentivadas a realizar sucessivos depósitos sob a promessa de retornos elevados e rápidos. Quando tentavam resgatar os valores supostamente investidos, eram informadas de que seria necessário fazer novos aportes financeiros para liberar os recursos. Após novos pagamentos, o acesso às plataformas era bloqueado e os supostos consultores desapareciam, encerrando qualquer contato.

A Polícia Civil afirma que o modelo utilizado pela organização seguia as características típicas de uma pirâmide financeira. Os investigados pagavam falsos rendimentos a alguns participantes para criar uma aparência de credibilidade e atrair novos investidores, enquanto os recursos captados eram desviados para os integrantes do esquema.

As apurações também revelaram um sofisticado sistema de ocultação de patrimônio. Segundo a PCDF, os valores obtidos com os golpes eram distribuídos entre diversas contas bancárias, empresas de fachada e operações envolvendo criptoativos, dificultando o rastreamento do dinheiro pelas autoridades.

Um dos investigados chamou a atenção dos policiais por movimentar milhões de reais em diferentes instituições financeiras, apesar de declarar renda considerada incompatível com esse volume de recursos. A investigação ainda apontou que ele recebeu Auxílio Emergencial durante a pandemia, o que reforçou as suspeitas sobre a origem do patrimônio.

Outra descoberta dos investigadores foi uma empresa registrada com capital social de apenas R$ 1 mil, mas que teria movimentado milhões de reais ao longo das operações. Para a polícia, a discrepância pode indicar o uso da empresa para práticas de fraude bancária e lavagem de dinheiro.

Segundo a PCDF, as provas reunidas até o momento apontam para uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de tarefas entre seus integrantes. Cada participante teria funções específicas, desde a captação de vítimas e administração das plataformas fraudulentas até a movimentação financeira e ocultação dos recursos obtidos ilegalmente.

As investigações continuam para identificar outras vítimas, rastrear o destino do dinheiro e localizar possíveis novos integrantes da organização. Os suspeitos poderão responder por estelionato eletrônico, associação criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes que venham a ser identificados durante o andamento do inquérito.

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