Presidente das Maldivas acompanha buscas por mergulhadores italianos • Reuters

Mergulhadores especializados em cavernas submarinas chegaram às Maldivas neste domingo (17) para reforçar a operação de busca pelos corpos de quatro italianos desaparecidos após um acidente de mergulho no Atol de Vaavu.

A missão ganhou ainda mais atenção após a morte do sargento Mohamed Mahudhee, integrante das forças de defesa nacionais, durante uma operação de resgate realizada no sábado (16).

Segundo o porta-voz do governo das Maldivas, Mohamed Hussain Shareef, três mergulhadores finlandeses da Divers Alert Network chegaram ao país para ajudar na definição de uma nova estratégia de recuperação.

“Eles foram recomendados pela Itália e realizaram mergulhos profundos e em cavernas em todo o mundo”, afirmou Shareef.

Tragédia ocorreu durante expedição de mergulho

O acidente aconteceu na quinta-feira (14), quando um grupo de italianos realizava uma expedição de mergulho no Atol de Vaavu a bordo do navio Duke of York.

Cinco mergulhadores morreram após explorarem uma caverna submarina profunda. O corpo do instrutor Gianluca Benedetti foi encontrado na entrada da caverna.

As autoridades acreditam que os outros quatro permanecem presos no interior da formação subaquática. Entre os desaparecidos estão a professora universitária Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, o biólogo marinho Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino.

Militar morreu durante operação de resgate

A tentativa de recuperação dos corpos evidenciou o alto grau de risco da operação.

O sargento Mohamed Mahudhee, considerado um dos mergulhadores mais experientes das Maldivas, morreu durante uma missão de resgate na caverna, localizada a cerca de 70 metros de profundidade.

“Isso mostra o quão desafiador é este mergulho”, afirmou o porta-voz do governo.

O militar foi sepultado com honras em Malé, capital do país, em cerimônia acompanhada pelo presidente Mohamed Muizzu e milhares de pessoas.

Correntes fortes e escuridão dificultam buscas

Segundo as autoridades, os mergulhos são extremamente complexos devido às fortes correntes, passagens estreitas, escuridão total e profundidade da caverna.

Cada operação dura cerca de três horas por causa dos protocolos de oxigênio e descompressão exigidos em mergulhos profundos.

Especialistas internacionais afirmam que a combinação entre profundidade extrema, lodo no interior da caverna e risco de narcose torna a missão ainda mais perigosa.

Investigação apura possível irregularidade

As autoridades locais investigam como os mergulhadores conseguiram ultrapassar os limites legais permitidos para mergulho recreativo nas Maldivas.

Segundo o governo, a legislação local proíbe mergulhos acima de 30 metros sem autorização especial. A entrada da caverna estaria localizada a quase 50 metros de profundidade.

A licença do navio foi suspensa enquanto a investigação é conduzida.

A empresa italiana responsável pela viagem negou ter autorizado mergulhos fora das regras e afirmou que desconhecia qualquer plano do grupo para descer além do limite permitido.

A Universidade de Gênova divulgou nota lamentando a morte dos pesquisadores ligados à instituição.

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