A operação “Sentinela”, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) na manhã desta terça-feira (17), resultou na prisão preventiva de dois policiais militares suspeitos de envolvimento na fuga de detentos do Núcleo Prisional da Polícia Militar, em Manaus. A ação também cumpriu mandados de busca e apreensão como parte das investigações.

O caso está relacionado ao desaparecimento de 23 custodiados, registrado no dia 27 de fevereiro, quando uma inspeção extraordinária identificou a ausência dos presos na unidade localizada na zona norte da capital.

De acordo com o Ministério Público, os policiais presos estavam responsáveis pela guarda do núcleo prisional no momento em que a irregularidade foi constatada. As investigações apontam que a saída dos detentos pode ter ocorrido com facilitação interna, hipótese prevista na legislação penal militar.

A 60ª Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública foi responsável por solicitar à Justiça as medidas cautelares, incluindo as prisões e os mandados de busca, que foram autorizados e cumpridos nesta terça-feira.

Segundo o promotor Armando Gurgel Maia, as medidas têm como objetivo garantir o avanço das investigações, preservar a ordem pública e manter a disciplina no âmbito militar.

As diligências realizadas durante a operação buscam esclarecer como ocorreu a evasão, identificar possíveis outros envolvidos e assegurar a regularidade do sistema de custódia da corporação.

O Ministério Público destacou que o caso segue sob investigação e que todos os envolvidos terão direito ao contraditório e à ampla defesa.

Ex-major já havia sido preso e expulso da corporação

Antes da deflagração da operação Sentinela, o ex-major Galeno Edmilson de Souza Jales já havia sido preso preventivamente por suspeita de envolvimento no caso. Ele era responsável pelo Núcleo Prisional da Polícia Militar à época dos fatos.

O oficial foi posteriormente excluído da corporação por decreto assinado pelo governador Wilson Lima, publicado no Diário Oficial no dia 11 de março.

A decisão levou em consideração entendimento do Tribunal de Justiça do Amazonas e parecer da Procuradoria-Geral do Estado.

A fuga dos 23 policiais militares custodiados gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a segurança e o controle interno da unidade prisional da PM.

Na decisão que determinou a prisão do ex-major, a Justiça destacou o impacto do caso na sociedade e a necessidade de evitar interferências nas investigações.

Inicialmente, dois policiais responsáveis pela guarda chegaram a ser presos em flagrante, mas foram liberados após audiência de custódia e passaram a responder ao processo em liberdade — situação que mudou com o avanço das investigações e a nova operação do MP.

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