
Um ataque aéreo israelense na Faixa de Gaza matou o trabalhador humanitário palestino Mohammad al-Waheidi na noite de terça-feira (7), poucas horas antes de uma exibição pública da partida entre Egito e Argentina pela Copa do Mundo de 2026. Integrante do Comitê Egípcio de Ajuda Humanitária em Gaza, ele era responsável por organizar transmissões dos jogos para milhares de palestinos deslocados pela guerra.
Segundo informações de autoridades locais e de fontes de segurança egípcias, Mohammad al-Waheidi estava em um táxi que foi atingido por um bombardeio no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza. Além dele, outras três pessoas morreram no ataque, entre elas dois irmãos, de 10 e 8 anos, que passavam pela região no momento da explosão.
Mohammad al-Waheidi desempenhava um papel de destaque na logística do Comitê Egípcio de Ajuda Humanitária em Gaza, organização que atua na distribuição de assistência à população do enclave. Durante a Copa do Mundo, ele coordenou a instalação de telões para que moradores pudessem acompanhar os jogos do torneio, realizado nos Estados Unidos, Canadá e México, oferecendo momentos de lazer em meio ao conflito.
Apesar da morte do organizador, a transmissão da partida entre Egito e Argentina foi mantida. Palestinos deslocados pela guerra se reuniram para assistir ao confronto e apoiar a seleção egípcia, em uma iniciativa que havia sido planejada por Mohammad antes do ataque.
Familiares relataram que o trabalho humanitário exigia longas jornadas, mas afirmaram que ele considerava a missão uma forma de ajudar pessoas afetadas pela guerra. Segundo parentes, o objetivo era oferecer algum conforto à população que vive em meio aos confrontos e aos deslocamentos forçados.
Na quarta-feira (8), centenas de pessoas participaram do funeral de Mohammad al-Waheidi. O corpo foi envolto em bandeiras da Palestina e do Egito, enquanto amigos, vizinhos e colegas prestaram homenagens à vítima.
De acordo com médicos e autoridades locais, o bombardeio atingiu diretamente o veículo em que o trabalhador humanitário estava. O Centro Palestino para os Direitos Humanos informou que a quarta vítima fatal foi Ahmed Jehad Rajab Doghmosh, de 30 anos, que também ocupava o táxi.
Em nota, o Exército de Israel afirmou que o alvo da operação era um integrante do Hamas que estaria no veículo. As Forças Armadas israelenses disseram estar cientes das informações sobre a morte de pessoas não envolvidas no conflito e informaram que o caso está sendo investigado. Os militares, no entanto, não divulgaram a identidade do suposto militante apontado como alvo da ação.
Segundo fontes de segurança do Egito, um alto representante do governo egípcio levou o caso às autoridades israelenses, manifestando preocupação com o ataque e defendendo a preservação das atividades realizadas pelo Comitê Egípcio de Ajuda Humanitária em Gaza. Até o momento, nenhum grupo armado palestino reivindicou qualquer vínculo com as vítimas mortas no bombardeio.







