
Uma paciente com câncer de mama metastático recorreu à Justiça após relatar dificuldades para conseguir, na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), a consulta necessária para manter o tratamento contra a doença. Waléria Martins afirma que corria o risco de ficar sem a medicação porque o retorno médico, previsto para 1º de outubro, inicialmente só teria disponibilidade para o dia 19. Após o ajuizamento da ação, porém, novos atendimentos foram agendados para os dias 5 e 6.
O episódio é o mais recente de uma sequência de dificuldades narradas pela paciente desde que iniciou o tratamento, em março deste ano. Segundo Waléria, nesse período houve progressão da doença, que atingia inicialmente a mama e o pulmão e posteriormente chegou à coluna.
A paciente afirma ainda que, durante um dos atendimentos, chegou a ouvir de uma médica que não haveria mais opções para seu caso. Posteriormente, conforme seu relato, a profissional conseguiu prescrever outro medicamento e o tratamento teve continuidade.
“A doença evoluiu. Do que era no seio e no pulmão, passou para a coluna. Eu já fiquei com medo. Inclusive, a médica chegou a dizer que não tinha mais o que fazer por mim, mas depois conseguiu passar esse medicamento que estou tomando agora”, relata.
Consulta era necessária para continuar medicação
Com a mudança da terapia, Waléria passou a utilizar um medicamento administrado em ciclos de 21 dias. De acordo com a paciente, para iniciar o ciclo seguinte era necessário passar novamente por consulta médica, obter a prescrição e, então, ter acesso à medicação.
O problema surgiu quando tentou marcar o retorno. Waléria diz que precisava ser atendida em 1º de outubro, mas teria recebido a informação de que a próxima disponibilidade seria somente no dia 19.
A possibilidade de passar dias sem a medicação provocou temor diante do quadro já avançado da doença.
“Passou pela minha cabeça: ‘vou ficar sem medicamento, a doença vai aumentar e eu vou morrer’. Foi isso que eu pensei. Eu já estou nessa luta e não é fácil”, afirma.
Paciente leva caso à Justiça
Diante do impasse, o escritório Philippe Dantas e Advogados Associados, responsável por acompanhar a paciente, ingressou com ação judicial buscando assegurar a continuidade do tratamento dentro dos prazos médicos.
Segundo a advogada Luiza Anoeza, a medida busca garantir tanto a consulta quanto o acesso ao medicamento necessário para a paciente.
“A paciente tem câncer de mama com metástase em outras áreas do corpo. Ela precisa da consulta para seguir com a prescrição e ter acesso ao medicamento. O que buscamos é garantir que ela consiga continuar o tratamento dentro do período indicado”, explicou.
A defesa também pediu que, caso a rede pública não consiga disponibilizar o atendimento no período necessário, o Estado seja obrigado a custear o tratamento na rede privada.
O processo está em tramitação e, conforme informado pela defesa, aguarda manifestação técnica do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus).
Após ação, consultas são antecipadas
Depois que o caso chegou à Justiça, Waléria recebeu novos agendamentos. Documentos enviados à paciente apontam consulta de acompanhamento em mastologia para 5 de outubro e atendimento de quimioterapia para 6 de outubro.
A mudança reduziu o intervalo em relação ao dia 19, data que, segundo a paciente, havia sido apresentada inicialmente como a primeira disponível.
“O que era para o dia 19 já adiantaram para agora”, disse.
Mesmo com os novos agendamentos, Waléria afirma que sua preocupação agora é conseguir manter a regularidade do tratamento nas próximas etapas.
“Eu só quero que a FCecon me atenda, me dê os medicamentos que eu preciso e me ajude a continuar o meu tratamento. Eu só quero tomar o meu medicamento e ser curada”, declarou.
FCecon ainda não se manifestou
A FCecon foi procurada para esclarecer os relatos da paciente, incluindo as dificuldades de agendamento, a continuidade do tratamento e os atendimentos mencionados por Waléria.







