Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio foi escolhido pelo pai no fim de 2025 para ser o pré-candidato da extrema direita à presidência | Crédito: Pablo Porciuncula / AFP

A queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais reacendeu o debate sobre a sucessão política dentro do bolsonarismo e a dificuldade do ex-presidente Jair Bolsonaro em apoiar lideranças fora do núcleo familiar. A avaliação foi feita pela cientista política Rosimary Segurado, diretora do Coletivo Digital, durante entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A análise foi motivada pelos resultados da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10), que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro por 44% a 38% das intenções de voto.

No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 39%, enquanto Flávio registra 29%, quatro pontos percentuais abaixo dos 33% registrados no levantamento anterior. A pesquisa também apontou aumento da rejeição ao senador, que chegou a 56%, tornando-se o nome mais rejeitado entre os pré-candidatos avaliados.

Segundo Rosimary Segurado, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa não apenas um projeto político da direita, mas também uma escolha pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para a pesquisadora, os números indicam um movimento consistente de enfraquecimento do senador, especialmente porque a queda registrada ultrapassa a margem de erro do levantamento.

Ela destacou ainda que o desempenho de Flávio já vinha apresentando sinais de desgaste após a divulgação de informações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. Na avaliação da cientista política, parte dessa perda de apoio ocorre entre eleitores independentes, grupo considerado menos fiel ao bolsonarismo e mais suscetível aos efeitos da conjuntura política.

Enquanto isso, Lula tem apresentado recuperação gradual nos índices de aprovação do governo. Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados aprovam a gestão do presidente, enquanto 48% desaprovam. A diferença entre os dois índices já foi mais ampla em levantamentos anteriores.

Para Segurado, algumas medidas recentes do governo federal podem estar contribuindo para essa melhora gradual na avaliação popular, entre elas iniciativas voltadas à renegociação de dívidas, mudanças na tributação do Imposto de Renda e propostas relacionadas à jornada de trabalho.

Cenário eleitoral e disputa no Congresso

A cientista política também comentou o desempenho de outros nomes testados pela pesquisa, como os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Segundo ela, ambos enfrentam dificuldades para se diferenciar do eleitorado bolsonarista e disputar espaço dentro do mesmo campo político.

Outro nome citado foi o de Renan Santos, da Missão, que aparece à frente de alguns pré-candidatos tradicionais em determinados cenários apresentados pelo levantamento.

Além do cenário eleitoral, Segurado avaliou que a proximidade das eleições já influencia o comportamento do Congresso Nacional. Para ela, pautas como o fim da escala 6×1 e a redução da maioridade penal passaram a ocupar espaço central na disputa política e tendem a ser utilizadas pelos diferentes grupos como instrumentos de mobilização de suas bases eleitorais.

Na avaliação da pesquisadora, temas com forte apelo popular ganham destaque à medida que a disputa presidencial se aproxima, ampliando o impacto das decisões legislativas no debate eleitoral dos próximos meses.

Com informações de Brasil de Fato

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