Leandro Coelho Aguiar durante defesa da tese em 2024

A tese “Buscando sentido no caos: a gestão do patrimônio documental na administração pública do Amazonas”, de autoria de Leandro Coelho de Aguiar, professor do curso de Arquivologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), conquistou o segundo lugar no Prêmio Nacional de Arquivologia Maria Odila Fonseca 2025. Principal premiação da área, o prêmio, promovido pelo Arquivo Nacional, reconhece os melhores trabalhos da Arquivologia ou que tenham relação com temáticas arquivísticas no Brasil.

Leandro Coelho Aguiar destaca a relevância da segunda colocação alcançada pela sua pesquisa de doutorado: “Receber esse reconhecimento do Arquivo Nacional tem um significado profundo. É uma tese produzida no Amazonas, sobre o Amazonas e por um professor da instituição em um Programa de Pós-Graduação da própria Ufam, o que demonstra a força da pesquisa regional desenvolvida em nossa universidade”, afirma o docente. 

“Discutir a gestão e a preservação do nosso patrimônio documental, histórico e social é fundamental para a construção da memória e da identidade coletiva amazônica. Essa conquista evidencia o excelente trabalho do PPGH/Ufam e do laboratório Archivum [Laboratório de Pesquisa em Arquivologia, História e Patrimônio], sob a orientação do professor doutor James Roberto”, conclui.

Gestão documental na Primeira República

Defendida em 2024 no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Ufam e orientada pelo professor James Roberto Silva, a tese discute a historicidade da gestão e preservação documental no Amazonas, contribuindo de forma decisiva para o debate sobre a preservação do patrimônio documental histórico e social do estado. Conforme o resumo da tese, a pesquisa se debruça sobre “a gestão do patrimônio documental da Administração Pública do Amazonas durante a Primeira República (1889 e 1930), enfocando a estrutura administrativa, os atores envolvidos e as práticas documentais”.

Utilizando a abordagem da História dos Arquivos, a tese mergulha no período por meio da análise de documentos de fontes oficiais e de notícias da imprensa da época para compreender a evolução das práticas arquivísticas e o papel dos arquivistas na administração pública da Primeira República. “A gestão documental desse período caracterizava-se por instabilidades e descontinuidades, marcadas por decisões pragmáticas e voltadas para as necessidades imediatas da administração, sem uma fundamentação teórico-metodológica consolidada”, informa o texto da tese. 

A pesquisa aponta que, ainda que houvesse o reconhecimento da importância da gestão e da preservação do acervo documental, as práticas arquivísticas do período foram comprometidas por fatores políticos e socioeconômicos, gerando instabilidade e adaptação contínua das estruturas documentais. Sob forte influência de políticos e intelectuais do estado, as iniciativas eram marcadas por disputas constantes sobre sua organização, acesso e função e a gestão do patrimônio documental oscilava entre tentativas de organização e a predominância de práticas empíricas e fragmentadas.

pesquisa está disponível na íntegra na Biblioteca de Teses e Dissertações da Ufam. 

Maria Odila Fonseca (1953-2007)

O prêmio, criado em 2017, leva o nome da professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e servidora do Arquivo Nacional Maria Odila Fonseca, importante referência da área de Arquivologia. Segundo Leandro Aguiar, o reconhecimento da sua pesquisa pela premiação também tem um valor afetivo e histórico, pois foi aluno da professora durante sua formação em Arquivologia na UFF entre 2006 e 2010.

Sobre o docente

Leandro Coelho Aguiar é professor do curso de Arquivologia da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da Ufam, líder do grupo de pesquisa do CNPq Núcleo de Pesquisa em Arquivologia (NUPEArq) e do Archivum, vinculado à FIC. É o atual presidente da Associação Nacional de História – Seção Amazonas (Anpuh-AM), gestão 2024-2026, e recém-eleito membro efetivo do Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), órgão colegiado, vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

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