
Os preços do petróleo registram forte queda nesta segunda-feira (3) nos mercados internacionais, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o adiamento de uma ofensiva militar contra o Irã para abrir espaço a uma possível negociação sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Por volta das 7h12 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, recuava 4,69%, sendo negociado a US$ 83,81. Já o West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos, registrava queda de 5,83%, cotado a US$ 79,73 por barril.
O recuo ocorre após Trump afirmar, em publicação na rede Truth Social, que decidiu suspender um novo ataque ao Irã depois de receber pedidos de Teerã e de outros países do Oriente Médio para que as negociações fossem mantidas.
Segundo o presidente norte-americano, um eventual acordo incluiria a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e medidas para encerrar o programa nuclear iraniano. A passagem marítima é estratégica para o mercado de energia, já que cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pela região.
As declarações, no entanto, foram contestadas pelo governo iraniano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que não existem negociações diretas em andamento com os Estados Unidos e explicou que as conversas relacionadas ao Estreito de Ormuz ocorrem apenas com a mediação de Omã.
A reação do mercado também reflete a redução do chamado prêmio de risco, mecanismo que eleva os preços quando há temor de interrupções no fornecimento mundial de petróleo. Com a possibilidade de uma solução diplomática, investidores passaram a reduzir parte das apostas em uma escalada imediata do conflito.
O movimento acontece depois de um mês de forte valorização da commodity. Em julho, os contratos do Brent e do WTI acumularam alta superior a 20%, impulsionados pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelos ataques contra navios petroleiros nas proximidades do Golfo de Omã.
Apesar da queda desta segunda-feira, analistas avaliam que o cenário continua cercado de incertezas. O principal ponto de atenção do mercado é saber se as negociações conseguirão avançar ou se haverá uma nova escalada militar capaz de interromper o fluxo de petróleo na região.
O governo iraniano também adotou um discurso cauteloso diante das declarações de Trump. O ministro interino da Defesa, Seyyed Majid Ibn Al-Reza, afirmou que considera as falas parte de uma guerra psicológica, mas ressaltou que qualquer ameaça será tratada como real pelas autoridades do país.
Já a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, classificou a proposta apresentada pelos Estados Unidos como uma “lista de desejos”, indicando ceticismo quanto à possibilidade de um entendimento no curto prazo.
Outro fator que influencia o mercado é a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de ampliar a produção. No domingo (2), o grupo aprovou um aumento de aproximadamente 188 mil barris por dia na cota de produção para setembro, concluindo a reversão parcial dos cortes voluntários adotados anteriormente.
Mesmo com o aumento da produção, especialistas apontam que conflitos no Oriente Médio e interrupções nas rotas de exportação continuam limitando o crescimento efetivo da oferta global.
No fim de semana, dois petroleiros carregados com petróleo saudita atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb, enquanto o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz diminuiu após novos relatos de ataques a navios comerciais. A agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations informou que outras três embarcações foram alvo de ataques desde o último sábado (1º), reforçando o clima de instabilidade na região.







