A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4), a Operação Caro Leitor, para investigar suspeitas de fraude em licitação, superfaturamento e desvio de recursos públicos na compra de livros didáticos destinados à rede municipal de ensino de Serrinha, no interior da Bahia. O contrato firmado com duas empresas alcançou o valor de R$ 5,9 milhões.

Durante a operação, os agentes cumprem 13 mandados de busca e apreensão em dois estados. Na Bahia, são realizadas diligências em Serrinha e Salvador. No Ceará, as ações ocorrem em Fortaleza e Eusébio.

Os mandados incluem endereços de pessoas físicas, empresas e da própria Prefeitura de Serrinha. A Polícia Federal busca documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento das suspeitas.

Investigação aponta possível superfaturamento

Segundo a PF, as apurações identificaram indícios de que os livros didáticos foram adquiridos por valores significativamente superiores aos preços divulgados no site da editora responsável pelas publicações.

Os investigadores também apuram possíveis irregularidades no processo de contratação, incluindo suspeita de direcionamento da licitação, vínculos entre empresas participantes e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Os pagamentos foram realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), destinado ao financiamento da educação pública.

Os investigados poderão responder por fraude à licitação, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal informou que as investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e identificar o destino dos recursos.

Prefeitura e ex-prefeito se manifestam

Em nota, a Prefeitura de Serrinha afirmou que os procedimentos investigados foram realizados em 2024, antes do início da atual gestão municipal. A administração declarou que está à disposição das autoridades e que fornecerá as informações e os documentos necessários.

O município também reafirmou o compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.

O ex-prefeito Adriano Lima também divulgou um posicionamento. Ele afirmou que não foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação e que ainda não teve acesso aos autos da investigação.

O ex-gestor declarou confiança no trabalho das instituições e disse estar disposto a colaborar com as autoridades, caso seja solicitado. Também defendeu que sua administração, durante os oito anos à frente da prefeitura, foi pautada pela transparência e responsabilidade com o dinheiro público.

Artigo anteriorVitória democrata nos EUA ameaça maioria conservadora na Suprema Corte
Próximo artigoSubstituto de artilheiro decide, e Borussia Dortmund derrota o Real Betis