
A Polícia Federal prendeu preventivamente, nesta terça-feira (25), um auditor-fiscal aposentado da Receita Federal e dois empresários suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida em fraudes em operações de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza. A ação faz parte da Operação Snooker 2, deflagrada pela PF em parceria com a Corregedoria da Receita Federal e o Ministério Público Federal.
Ao todo, a Justiça Federal do Ceará autorizou 15 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, além de Salvador, na Bahia. As medidas também incluem bloqueio de contas bancárias, sequestro de imóveis, restrições patrimoniais e apreensão de bens, entre eles um veículo de luxo.
De acordo com as investigações, o grupo teria atuado para facilitar importações fraudulentas e com valores subfaturados, mediante o pagamento de vantagens indevidas. Os suspeitos também são investigados por possíveis crimes de corrupção, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro.
A apuração aponta que a organização possuía uma estrutura com funções distribuídas entre pessoas ligadas ao setor público, empresários, operadores financeiros e responsáveis pela ocultação do patrimônio obtido com as atividades investigadas.
Segundo a Polícia Federal, empresas de fachada e pessoas apontadas como laranjas teriam sido utilizadas para receber, movimentar e esconder recursos supostamente provenientes dos crimes. Os investigadores também encontraram operações envolvendo criptomoedas e transações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada por algumas das empresas.
As movimentações identificadas entre empresas relacionadas ao esquema ultrapassariam R$ 27 milhões. Além disso, o grupo teria adquirido cerca de R$ 31,8 milhões em criptoativos, valor que, conforme a investigação, não seria compatível com as receitas oficialmente declaradas pelos envolvidos.
A nova fase da apuração teve origem em informações obtidas após a primeira Operação Snooker, realizada em setembro de 2025. Conforme a PF, mesmo depois da adoção de medidas cautelares, os investigados teriam se reorganizado e aberto novas empresas para dar continuidade às operações consideradas suspeitas.
As equipes responsáveis pela operação também buscam aprofundar a investigação sobre a possível participação de profissionais ligados ao setor de importação no Aeroporto Internacional de Fortaleza. As diligências devem ajudar a esclarecer como funcionava o esquema e de que maneira os recursos obtidos com as supostas práticas criminosas eram movimentados e ocultados.
Para autorizar as novas medidas, a Justiça considerou a existência de indícios dos crimes investigados e o risco de continuidade das atividades, além da possibilidade de ocultação ou transferência de patrimônio e de prejuízo à produção de provas. Segundo a decisão, as medidas cautelares adotadas anteriormente não teriam sido suficientes para impedir a continuidade da atuação dos suspeitos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes relacionadas a operações de importação. A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão do esquema.







