Daniel Vorcaro, do Banco Master • Reprodução

A Polícia Federal rejeitou nesta quarta-feira (20) o pedido de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso desde 4 de março por suspeita de fraudes financeiras.

Segundo fontes ligadas às negociações, a PF entendeu que Vorcaro não apresentou informações novas capazes de contribuir de forma relevante com as investigações já em andamento.

Apesar da negativa da corporação, as negociações continuam com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que demonstrou interesse em manter tratativas para um possível acordo de colaboração premiada.

Negociações envolvem ressarcimento bilionário

Entre os principais pontos discutidos nas negociações estão o valor de ressarcimento aos cofres públicos, estimado em cerca de R$ 50 bilhões, além das condições para cumprimento de pena.

A defesa de Vorcaro tenta garantir que o ex-banqueiro permaneça em prisão domiciliar ao menos até eventual julgamento definitivo.

Outro fator considerado sensível é o alcance político das informações que poderiam ser entregues pelo ex-banqueiro. Fontes ligadas ao caso apontam que a colaboração teria potencial para atingir integrantes do Congresso Nacional e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

PF vê omissões em relatos

Investigadores avaliam que Vorcaro deixou de citar episódios considerados importantes durante as negociações iniciais.

Um dos casos envolve o senador Ciro Nogueira. Segundo a investigação, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master.

De acordo com a PF, uma emenda apresentada por Ciro para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, teria contado com participação de integrantes do banco.

Outro ponto que aumentou a insatisfação dos investigadores foi a ausência de informações sobre supostas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

Reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou mensagens, documentos e áudios indicando uma negociação de R$ 134 milhões entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiar o filme “Dark Horse”. Segundo a publicação, ao menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos.

Na terça-feira (19), Flávio admitiu ter se encontrado com Vorcaro em dezembro de 2025, período em que o ex-banqueiro já estava em prisão domiciliar.

Transferência de cela gerou desgaste

Na última segunda-feira (18), Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Nos bastidores, a mudança foi interpretada como reflexo do descontentamento da PF com o conteúdo apresentado pelo ex-banqueiro durante as tentativas de colaboração.

A defesa segue tentando viabilizar um acordo diretamente com a PGR.

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