A Polícia Militar de São Paulo concluiu e arquivou a investigação preliminar sobre a suposta perseguição ao veículo utilizado pela campanha de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo. Em um relatório de 383 páginas, a corporação afirma que os relatos apresentados pelo motorista e pelo candidato não foram integralmente confirmados pela cronologia construída a partir das imagens de segurança, dos registros de localização das viaturas e dos dados do Sistema Radar.

Segundo a investigação, as acusações consideradas mais graves, como uma perseguição contínua por cerca de 40 minutos, bloqueio do veículo, abordagem direcionada ao motorista e uma suposta ordem para que ele deixasse o local, não encontraram confirmação no conjunto de provas analisado pelos policiais.

Para reconstruir a sequência dos acontecimentos, a investigação examinou imagens de 79 câmeras de segurança instaladas na região. Também foram analisados dados de posicionamento das viaturas, registros operacionais, depoimentos de envolvidos e outras informações relacionadas ao episódio.

Em uma etapa específica da análise das imagens consideradas relevantes para estabelecer a cronologia dos fatos, foram avaliados 12 arquivos de vídeo provenientes de nove fontes diferentes. De acordo com o relatório, os investigadores consideraram os deslocamentos dos veículos e o tempo de permanência em cada local a partir da reprodução completa e contínua dos vídeos.

A metodologia, segundo a Polícia Militar, não se limitou aos fotogramas ou imagens estáticas reproduzidas no documento. Os arquivos foram analisados integralmente para estabelecer a sequência dos deslocamentos e verificar se os relatos apresentados pelas testemunhas correspondiam ao que foi registrado pelas câmeras e pelos sistemas de monitoramento.

Na conclusão, a corporação afirma não ter encontrado elementos que indiquem a prática de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum por parte dos policiais envolvidos na ocorrência.

Diante dos resultados, a autoridade responsável pelo procedimento também considerou que não havia elementos mínimos que justificassem a abertura de uma sindicância ou de outro processo administrativo ou disciplinar contra os agentes.

Com isso, o procedimento preliminar da Polícia Militar foi arquivado e ficará disponível para eventual consulta. O encerramento da apuração administrativa, porém, não significa que todas as investigações relacionadas ao episódio tenham sido concluídas.

O caso também é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da ocorrência. Essa investigação permanece em andamento e é independente da apuração realizada pela Polícia Militar.

O caso começou na noite de 11 de agosto, quando Fernando Haddad relatou que o veículo utilizado por sua campanha teria sido seguido e intimidado por policiais durante aproximadamente 40 minutos.

Após a denúncia, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo determinou que as equipes policiais que haviam circulado pela região fossem identificadas. Na ocasião, a pasta informou que eventual desvio de conduta por parte dos agentes seria investigado.

A versão apresentada pela campanha de Haddad passou, então, a ser confrontada com registros de câmeras de segurança e informações dos sistemas utilizados pela Polícia Militar para monitorar a movimentação das viaturas.

O relatório agora concluído aponta que, embora tenha havido registros de presença e deslocamento de viaturas na região, os elementos reunidos não confirmaram integralmente a narrativa de uma perseguição contínua ou das demais condutas atribuídas aos policiais.

A investigação da Polícia Civil deverá analisar o episódio sob outra perspectiva e ainda poderá reunir novos depoimentos, imagens e demais elementos antes de apresentar uma conclusão sobre o caso.

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