O cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos, envolvido na ocorrência que terminou com a morte do eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, já havia sido investigado por outra morte durante uma abordagem policial, em 2021, na zona norte de São Paulo.

Os dois casos ocorreram na mesma região da capital paulista, mas há uma diferença importante entre as ocorrências: no episódio mais recente, câmeras corporais registraram a ação dos policiais, permitindo confrontar as imagens com a versão apresentada pelos agentes à Polícia Civil.

Câmeras registraram fala antes dos disparos

No caso envolvendo Igor, ocorrido em abril, Cauan e outro policial afirmaram à Polícia Civil que haviam efetuado os disparos após o eletricista supostamente se insurgir contra os agentes e representar uma ameaça.

As gravações das câmeras corporais, porém, registraram uma dinâmica diferente. Antes de deixar a viatura, Cauan aparece dizendo que iria atirar contra Igor. As imagens passaram a integrar a investigação e foram utilizadas para confrontar o relato apresentado pelos policiais.

Igor foi baleado durante a ocorrência e morreu posteriormente no Hospital de Taipas. Registros também mostram Cauan pedindo para que a vítima não morresse após os disparos.

PM já havia respondido por outra morte

Em fevereiro de 2021, Cauan esteve envolvido na morte de Luiz Dionísio de Andrade Filho, durante uma tentativa de abordagem no Jaraguá, também na zona norte de São Paulo.

Na ocasião, segundo a versão apresentada pelos policiais, Luiz teria fugido de motocicleta e colocado a mão na cintura, o que teria sido interpretado como uma ameaça. Os agentes afirmaram ainda que encontraram com ele um revólver calibre .32.

A ocorrência não contou com imagens de câmeras corporais ou de monitoramento capazes de registrar a ação. Também não foram identificadas testemunhas que tivessem presenciado diretamente o momento dos disparos, conforme registros do caso.

Caso foi arquivado

Após a investigação, o Ministério Público de São Paulo concluiu que Cauan havia agido em legítima defesa e pediu o arquivamento do inquérito em dezembro de 2022.

A Justiça acolheu a manifestação e encerrou o caso. Na avaliação apresentada pelo Ministério Público à época, o policial havia efetuado um único disparo durante a ocorrência.

No episódio envolvendo Igor, cerca de cinco anos depois, a existência de câmeras corporais passou a oferecer registros audiovisuais da abordagem, permitindo que os investigadores analisassem a sequência dos acontecimentos e comparassem as imagens com os depoimentos dos policiais.

A investigação sobre a morte de Igor segue em andamento.

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