Reprodução/Internet.

Em relatório, a Policia Civil de São Paulo classifica Deolane Bezerra dos Santos como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Peça importante na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção, a influenciadora e advogada foi presa em na região metropolitana da capital em operação na manhã desta quinta-feira (21/5), que também mira Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e familiares dele.

Segundo a investigação, Deolane recebeu valores de uma transportadora adquirida pelo PCC, a mando de Marcola e do irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, o Marcolinha.

Reprodução Metrópoles

Inicialmente, ela era encarada apenas como advogada de integrantes da facção, mas o teor das movimentações financeiras mostraram que Deolane figura como uma integrante da organização.

De acordo com os investigadores, as transferências ocorreram em forma de “acerto” ou “fechamento”, e não teriam sido justificadas pela prestação de serviços advocatícios ou outras formas lícitas.

Relação entre Deolane e operador do PCC

A polícia chegou a Deolane por meio de Everton de Souza, conhecido pelos codinomes “Player” ou “Temer”. Ele é identificado nas investigações como um intermediador e operador financeiro do PCC, que atuaria na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.

O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central na investigação, e foi imprescindível para comprovar a participação da advogada na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção.

Na função de gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada, Everton orientava o administrador operacional Ciro César Lemos a realizar depósitos em contas de Deolane.

Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou “balancete” da facção. Foram identificadas 34 transações com intermediários idênticos, o que sugere uma rede de repasses triangulados para fragmentar a trilha do dinheiro (layering).

Ambos utilizam os serviços de Eduardo Affonso Rodrigues, apontado como o contador do esquema, responsável por constituir e manter empresas de fachada para os dois investigados.

A investigação chama tais empresas de “espelho”, pois identificou que elas funcionam sob o mesmo modus operandi: estão localizadas em endereços residenciais sem atividade real, ou até mesmo compartilham o mesmo local físico para diferentes CNPJs.

Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima.

A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais.

Segundo a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre os dois, com a presença de Everton em eventos familiares da advogada.

Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC

  • A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
  • Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
  • A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
  • Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
  • Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
  • Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
  • Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.

Com informações de Metrópoles.

Artigo anteriorA Pequena Notável: Espetáculo da FUnATI celebra alegria e legado cultural de Carmen Miranda
Próximo artigoAos 71 anos, aluna da Escola do Legislativo da CMM conclui curso de inglês e reforça importância da qualificação