
Prefeitos e prefeitas do interior do Amazonas realizaram, nesta quinta-feira (1º), uma mobilização conjunta para cobrar do Governo do Estado a liberação da segunda parcela de recursos do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI) destinados à saúde. O repasse, previsto para o segundo quadrimestre, ainda não havia chegado aos municípios, segundo a Associação Amazonense de Municípios (AAM) e gestores municipais.
Em Parintins, o prefeito Mateus Assayag aderiu ao movimento e concedeu entrevista coletiva no Hospital Regional Jofre Cohen. Segundo ele, o município aguarda aproximadamente R$ 2,7 milhões referentes à segunda parcela.
O prefeito afirmou que a cobrança coletiva foi adotada depois de sucessivos entendimentos e prazos apresentados para a liberação do dinheiro.
“Não faltou diálogo com a Secretaria de Saúde, com o Governo do Estado, por parte da Associação dos Municípios do Amazonas. Infelizmente, chegamos a esse ponto de precisar somar forças para ter acesso à segunda parcela”, declarou Assayag.
“Saúde tem que ser na hora”
Ao justificar a mobilização, Mateus Assayag ressaltou que o atraso atinge recursos usados diretamente pelos municípios para custear e ampliar serviços de saúde, justamente em um período no qual cidades do interior também enfrentam os impactos da estiagem.
Segundo o prefeito, a expectativa inicial era de que a transferência fosse concluída ainda em agosto. Com a entrada de setembro, a AAM intensificou as negociações com o Estado, mas, conforme Assayag, os prazos foram sendo sucessivamente adiados.
“A última informação era de que o recurso estaria na conta dos municípios até terça-feira, depois passou para quarta-feira”, relatou.
Sem o depósito, os gestores decidiram fazer a manifestação conjunta nesta quinta-feira.
“É uma forma de sensibilizar o Governo do Estado e a Secretaria de Saúde para que façam o repasse, porque os serviços de saúde dos municípios do interior não podem aguardar. Saúde tem que ser na hora”, afirmou.
A cobrança já vinha sendo discutida formalmente pela AAM. Em reunião realizada em 25 de setembro, a entidade reuniu prefeitos, secretários de Saúde e gestores financeiros para tratar especificamente dos repasses do FTI, da repactuação da saúde e de outras demandas dos municípios.
R$ 160 milhões estão previstos para os 61 municípios
Para 2026, estão previstos aproximadamente R$ 160 milhões do FTI para os 61 municípios do interior. A primeira parcela, de cerca de R$ 53,3 milhões, foi anunciada no fim de maio e transferida em junho.
O Decreto Estadual nº 54.239, de 26 de maio de 2026, estabeleceu que os recursos destinados à saúde sejam transferidos diretamente aos fundos municipais em três parcelas por ano, seguindo critérios de distribuição entre os 61 municípios do interior.
Mateus Assayag sustenta que a segunda parcela já acumula mais de 30 dias de atraso e lembrou que a primeira transferência também não ocorreu inicialmente no prazo esperado.
Prefeito diz que manifestação não paralisa atendimento
Assayag fez questão de destacar que a mobilização não envolve paralisação dos hospitais ou de outros serviços municipais de saúde.
“Ninguém está parando o sistema de saúde dos municípios, ninguém está prejudicando a população. É apenas uma manifestação pacífica para sensibilizar o Governo do Estado e a Secretaria de Saúde para que façam o repasse aos municípios que têm esse direito”, afirmou.
A orientação da AAM para a mobilização desta quinta-feira também é de preservação do funcionamento das unidades e do atendimento à população.
Parintins diz fazer economia para evitar impacto nos serviços
Enquanto aguarda os cerca de R$ 2,7 milhões, a Prefeitura de Parintins afirma estar reorganizando as finanças e buscando outras fontes para preservar o atendimento.
Segundo Mateus, o município tem recorrido a parcerias com parlamentares estaduais e federais e ao planejamento financeiro para manter medicamentos, serviços e mutirões cirúrgicos.
“Estamos fazendo economia e planejamento financeiro, mas é claro que esse recurso faz falta e, com certeza, com ele poderíamos fazer muito mais”, concluiu.
Até a publicação desta matéria, não constava nas fontes consultadas uma manifestação atual do Governo do Amazonas explicando o motivo do atraso apontado pelos prefeitos ou informando uma nova data para o pagamento da segunda parcela.







