A Prefeitura de Manaus iniciou neste sábado (27) uma ampla operação humanitária para prestar assistência às vítimas do terremoto que devastou regiões da Venezuela. A mobilização, determinada pelo prefeito Renato Junior, prevê o envio imediato de uma grande remessa de alimentos, água potável, medicamentos e materiais de primeira necessidade, além da articulação de uma rede de apoio com autoridades brasileiras, venezuelanas e organismos internacionais.

Durante entrevista coletiva realizada no almoxarifado da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), no bairro Petrópolis, Renato Junior afirmou que a resposta humanitária ultrapassa fronteiras e representa um compromisso de solidariedade com o povo venezuelano.

“As fronteiras separam países, mas jamais podem separar os povos. Neste momento, não estou aqui apenas como prefeito de Manaus, mas como brasileiro e, acima de tudo, como ser humano. Cada dia que conseguimos antecipar essa ajuda representa um dia a menos de sofrimento para milhares de famílias”, declarou.

A primeira remessa organizada pela Prefeitura reúne 10 mil cestas básicas, cerca de 10 mil litros de água potável, 560 colchões, 300 kits de higiene pessoal, 5.520 unidades de produtos de limpeza, além de medicamentos e outros insumos essenciais. Todo o material será transportado ainda neste sábado em caminhões do Exército Brasileiro, seguindo por via terrestre até Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela.

Além dos donativos, a operação contempla o envio de um expressivo volume de medicamentos destinados às unidades de saúde que atendem as vítimas da tragédia. Entre os itens estão 50 mil comprimidos de paracetamol, 20 mil comprimidos de amoxicilina, 50 mil comprimidos de cefalexina, 50 mil comprimidos de sulfametoxazol, soluções fisiológicas, Ringer Lactato e sais para reidratação oral.

“Em uma tragédia como essa, cada medicamento, cada litro de soro e cada gesto de solidariedade podem significar vidas salvas”, ressaltou o prefeito.

Antes mesmo do embarque da ajuda, Renato Junior manteve contato com representantes do governo venezuelano, prefeitos das cidades afetadas, autoridades federais brasileiras, integrantes do Comando Militar da Amazônia e da 1ª Brigada de Infantaria de Boa Vista para garantir rapidez na logística e ampliar a cooperação internacional.

Segundo o prefeito, a Prefeitura de Manaus permanecerá em contato permanente com as autoridades venezuelanas para identificar novas necessidades e ampliar o apoio, caso seja necessário.

A tragédia é considerada uma das maiores da história recente da Venezuela e já provocou mais de 920 mortes, quase 3.360 feridos e centenas de desaparecidos. Entre as vítimas estão dois brasileiros.

Durante o anúncio da operação, Renato Junior relembrou a ajuda prestada pela Venezuela ao Amazonas durante a crise sanitária da Covid-19, quando o estado enfrentou o colapso no abastecimento de oxigênio hospitalar.

“No momento mais difícil da história do nosso Estado, quando o Amazonas precisava de ajuda, a Venezuela estendeu a mão ao nosso povo enviando oxigênio. O que fazemos hoje também é um gesto de gratidão. Manaus não poderia deixar de olhar para os nossos irmãos venezuelanos justamente quando eles mais precisam”, afirmou.

O prefeito também fez um apelo para que empresas, igrejas, entidades de classe e a sociedade civil participem da campanha de arrecadação aberta pela Prefeitura.

“Nenhuma nação tem tão pouco que não possa ajudar, nem tanto que não possa receber. Este não é momento de política; é momento de servir”, destacou.

De acordo com o secretário da Semasc, Wanderson Costa, todas as secretarias municipais foram mobilizadas para garantir rapidez na resposta humanitária. Ele informou ainda que cerca de 80 voluntários, entre médicos, enfermeiros e outros profissionais especializados, já se colocaram à disposição para atuar nas áreas atingidas, dependendo apenas da organização logística da missão.

O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Alberto de Siqueira, afirmou que a Defesa Civil e os demais órgãos municipais trabalham de forma integrada para apoiar tanto o envio dos donativos quanto o deslocamento da equipe de voluntários.

Enquanto a primeira carga segue para a fronteira, a Prefeitura mantém aberta a campanha de arrecadação de doações e continua em articulação com o governo federal, autoridades venezuelanas e organismos internacionais para ampliar a assistência às populações afetadas pelo desastre.

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