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O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas Faierstein, afirmou que a Voepass enganou o órgão regulador ao enviar informações falsas sobre a manutenção de suas aeronaves antes da queda do voo 2283, acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024.

As declarações foram exibidas neste domingo (26), durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, poucos dias após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Anac afirma que empresa simulava manutenção

Segundo Faierstein, que assumiu a presidência da Anac em setembro de 2025, a companhia aérea ocultava problemas durante as inspeções e apresentava registros que não correspondiam à realidade.

De acordo com o presidente da agência, fiscais identificaram situações em que a empresa informava a substituição de componentes, mas a troca não era realizada.

“Muitas das informações que a empresa nos enviava eram informações falsas. Um fiscal da Anac determinava a troca de uma peça. Quando voltava para verificar, havia o documento informando que a substituição havia sido feita, mas, na prática, nada havia sido trocado”, afirmou Faierstein.

Ele também declarou que, nos anos que antecederam o acidente, a equipe técnica da Anac observou uma deterioração nos padrões de manutenção da companhia.

Relatório aponta falhas da Anac e da companhia

O relatório final do Cenipa concluiu que os processos de supervisão da Anac não foram suficientes para reduzir os riscos operacionais da Voepass.

Segundo a investigação, sinais de degradação das condições técnicas das aeronaves e outros riscos identificados antes do acidente não resultaram em medidas estratégicas capazes de evitar a tragédia.

O documento também aponta que a queda foi resultado da combinação de 19 fatores contribuintes, incluindo problemas técnicos, falhas de treinamento, decisões da tripulação, cultura organizacional da empresa e deficiências nos processos de fiscalização.

Gelo nas asas provocou perda de controle

A investigação concluiu que a aeronave ATR 72-500, matrícula PS-VPB, perdeu o controle após o acúmulo de gelo nas asas.

Entre 2022 e 2024, fiscais da Anac emitiram dez notificações à Voepass relacionadas a irregularidades no sistema de degelo das aeronaves.

Segundo Faierstein, além das falhas de manutenção, a companhia também apresentava relatórios considerados enganosos durante as fiscalizações.

Certificado da Voepass foi cassado

Em 24 de junho de 2025, a Anac cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo Transportes Aéreos, principal empresa do grupo Voepass.

Na ocasião, o órgão justificou a medida citando falhas graves e persistentes nos processos operacionais e de manutenção da companhia.

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