Sasun Bughdaryan / Unsplash

Abandonar o cigarro traz benefícios importantes para a saúde, mas o processo de interrupção da nicotina pode provocar alguns sintomas de abstinência. Entre eles está a prisão de ventre, condição que afeta cerca de 30% das pessoas que deixam de fumar.

Apesar de pulmões e intestino não estarem diretamente ligados, a constipação ocorre devido à ausência da nicotina, substância que estimula a ação da acetilcolina, neurotransmissor responsável por favorecer os movimentos intestinais.

Segundo a coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Maria Enedina Scuarcialupi, a nicotina aumenta as contrações do intestino, estimula a secreção de líquidos e acelera o esvaziamento do cólon.

“Esse estímulo favorece o funcionamento intestinal. Por isso, muitas pessoas costumam evacuar logo após fumar o primeiro cigarro do dia.”

Quando o cigarro é interrompido, esse estímulo desaparece. Como consequência, o intestino pode reduzir temporariamente sua atividade, tornando o trânsito intestinal mais lento.

Além disso, mudanças comuns durante a abstinência — como aumento da ansiedade, alterações no apetite, mudanças na alimentação e quebra da rotina — também favorecem o aparecimento da constipação.

A coloproctologista Aline Amaro explica que isso pode causar:

  • Fezes mais ressecadas;
  • Maior esforço para evacuar;
  • Sensação de evacuação incompleta.

Na maioria dos casos, o funcionamento intestinal volta ao normal em aproximadamente quatro semanas.

Como aliviar a prisão de ventre

Durante esse período de adaptação, especialistas recomendam:

  • Aumentar gradualmente o consumo de fibras;
  • Beber bastante água ao longo do dia;
  • Manter atividade física regular;
  • Criar uma rotina para ir ao banheiro, principalmente após as refeições;
  • Buscar acompanhamento médico quando necessário.

Segundo Aline Amaro, alguns medicamentos utilizados no tratamento da dependência do tabaco também podem contribuir para a constipação em determinados pacientes, tornando o acompanhamento profissional ainda mais importante.

Os benefícios de parar de fumar compensam

Embora os sintomas de abstinência possam ser desconfortáveis, eles costumam ser temporários. O tabagismo está associado a diversas doenças graves, incluindo vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias e alterações do aparelho digestivo.

De acordo com Maria Enedina Scuarcialupi, os ganhos para a saúde começam rapidamente após abandonar o cigarro:

  • Na primeira semana: melhora da circulação sanguínea, redução da frequência cardíaca e normalização da pressão arterial.
  • Nos dias seguintes: recuperação gradual do olfato e do paladar, além da melhora da aparência da pele e do odor corporal.
  • Após um ano: queda significativa do risco de doença coronariana.
  • Após alguns anos: redução importante do risco de acidente vascular cerebral (AVC), aproximando-se progressivamente do risco observado em pessoas que nunca fumaram.

Embora sintomas como prisão de ventre, irritabilidade, insônia, tremores e aumento do apetite possam surgir durante a abstinência, eles tendem a desaparecer com o tempo. Os especialistas reforçam que os benefícios duradouros para a saúde superam amplamente esses desconfortos temporários.

Com informações de Metrópoles

Artigo anteriorIrã e Omã negociam rota temporária no Estreito de Ormuz, diz autoridade
Próximo artigoPrefeitura realiza transbordo de 257,6 toneladas de lixo retiradas da orla em julho