Foto: Taty Souza / Click Solidário

Em meio à luta contra o câncer, recuperar a autoestima e voltar a reconhecer a própria força são desafios que vão além do tratamento médico. Em Manaus, o projeto Click Solidário busca tornar essa jornada mais acolhedora por meio da fotografia, da beleza e da solidariedade. Em 2026, a iniciativa completa dez anos de atuação, celebrando histórias de superação e o apoio de profissionais voluntários.

Idealizado pelo jornalista e fotógrafo Edivan Farias, o Click Solidário nasceu de uma publicação nas redes sociais sobre o Outubro Rosa. A ideia era homenagear mulheres que enfrentavam o câncer, mas a iniciativa ganhou proporções inesperadas e reuniu 78 pessoas na primeira edição, realizada no Ateliê Cláudio Andrade.

“Simplesmente coloquei: cadê as mulheres com câncer? Eu quero homenagear”, relembra Edivan. Segundo ele, a mobilização surpreendeu quando profissionais de diferentes áreas, como jornalistas, fotógrafos, maquiadores, fonoaudiólogos e assistentes sociais, se ofereceram para participar.

A mobilização transformou uma ideia em uma rede de apoio, na qual cada profissional contribui para proporcionar às participantes uma experiência de cuidado, acolhimento e valorização pessoal.

Projeto busca resgatar a autoestima

Para as mulheres que enfrentam ou já passaram pelo tratamento oncológico, as mudanças físicas e emocionais podem afetar a maneira como se enxergam. Nesse contexto, o Click Solidário propõe momentos em que elas possam se reconhecer para além da doença, valorizando a própria identidade e suas histórias de vida.

A participante Diva Damasceno conheceu o projeto em um período marcante: pouco tempo depois de passar por uma cirurgia relacionada ao câncer. Para ela, a experiência representou a oportunidade de reencontrar uma parte de si mesma que parecia ter ficado adormecida durante o processo de adoecimento.

“O Edivan, com esse projeto, resgata a autoestima dessa mulher. Faz com que essa mulher se olhe no espelho e perceba que ela ainda está viva ali, que existe, que, apesar das suas marcas, ela está viva”, relata Diva.

Ela também destaca a importância do envolvimento de fotógrafos, profissionais da beleza e voluntários na construção de um ambiente de acolhimento. A experiência, segundo a participante, permitiu que voltasse a se enxergar como mulher e reconhecesse o próprio valor em meio às dificuldades vividas.

Diagnóstico precoce pode fazer a diferença

Além do acolhimento, o Outubro Rosa reforça a importância da informação, da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. A doença continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio de 2026 a 2028 é de 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil, com risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Na Região Norte, a estimativa é de 31,28 casos por 100 mil mulheres a cada ano. Os números são projeções de incidência, e não a contagem definitiva de casos registrados. (Fonte: INCA.)

A história de Fabia Castro, participante do projeto, evidencia a importância de observar o próprio corpo e procurar atendimento diante de alterações suspeitas. Ela conta que percebeu um pequeno caroço na mama esquerda enquanto tomava banho, depois de chegar do trabalho.

“No outro dia, eu fui ao médico”, recorda Fabia, que recebeu encaminhamento para investigação especializada. Após os exames necessários, incluindo biópsia e imuno-histoquímica, ela iniciou o tratamento em 17 de dezembro de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

A entrevistada descreve o período como um momento difícil, mas ressalta o papel dos profissionais que a acompanharam durante o tratamento.

“Eu não tive só médicos, eu tive seres humanos maravilhosos, que souberam me explicar, me orientar, me acalentar, me acalmar e me acolher”, afirma.

O relato reforça que o cuidado oncológico envolve não apenas exames e procedimentos, mas também orientação, apoio emocional e atendimento humanizado.

Conhecer o próprio corpo pode ajudar a identificar mudanças, mas não substitui a avaliação médica nem os exames recomendados por profissionais de saúde. A mamografia é uma ferramenta fundamental para o rastreamento da doença, e qualquer alteração suspeita deve ser investigada.

Câncer de mama também pode atingir homens

Embora seja mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens. A informação é destacada por Fabiane Mariano, participante do projeto Click Solidário, que chama a atenção para a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doença para além do público feminino.

“Câncer de mama não dá só em mulher. Cerca de 1% dos casos ocorre na população masculina”, alerta.

Por ser menos comum entre homens, a doença pode passar despercebida ou ser identificada tardiamente. Por isso, é importante procurar atendimento diante de alterações, como nódulos na região da mama, mudanças na pele ou alterações no mamilo.

Fabiane também deixa uma mensagem sobre a importância de valorizar a vida e buscar apoio durante os momentos difíceis.

“O bem mais precioso que o Senhor colocou na tua mão foi o dom da vida. Você tem a vida, então aproveita essa vida que você tem e vai viver, e não só sobreviver”, declara.

Uma década de histórias e solidariedade

Ao longo dos anos, o Click Solidário construiu sua trajetória reunindo ensaios fotográficos, maquiagem, produção de vídeos e atividades de integração. As ações buscam oferecer às participantes momentos de valorização, convivência e reconhecimento de suas histórias para além do diagnóstico.

Com o tema “Uma Década de Esperança”, a iniciativa chega à décima edição em 2026. A programação comemorativa está prevista para o dia 1º de novembro, com um almoço no espaço Manu Festa, em Manaus.

Segundo Edivan Farias, a celebração foi transferida de outubro em razão do segundo turno das eleições. A proposta inicial era realizar um baile para as participantes, mas a organização optou por um encontro em outro formato.

“Eu acredito que vai ser uma festa linda. Todos os anos a gente faz, é muito gratificante, é muito gostoso. E não tem nada melhor para falar sobre esse projeto do que as próprias meninas”, afirma o idealizador.

A comemoração marca dez anos de uma iniciativa que tem na participação voluntária e no envolvimento das próprias mulheres os principais pilares de sua atuação.

Como contribuir com o Click Solidário

A população pode colaborar com o projeto e obter informações sobre a iniciativa por meio do contato disponibilizado pela organização.

Informações e contribuições: (92) 99467-7004 — Edivan Farias.

Ao completar uma década, o Click Solidário reafirma a proposta de unir solidariedade, acolhimento e valorização da autoestima, mostrando que, durante e depois do tratamento contra o câncer, o cuidado com a saúde emocional e o reconhecimento da própria identidade também são importantes.

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