
Por: Joilson Souza
Recentemente, na Escola Petrônio Pinheiro, em Novo Remanso, vivi uma situação que me fez refletir sobre o desinteresse de algumas crianças pelos estudos.
Sempre que o gestor Bruno Gomes e a supervisora Silvia Pedraça se ausentam para participar de formações na sede do município, fico responsável pela escola e aproveito para acompanhar de perto a rotina dos alunos.
Certo dia, uma professora me relatou que um aluno de apenas 11 anos, do 7.º ano, pediu para sair da sala porque não queria estudar. Ao observar sua mochila, percebeu que não havia cadernos, livros nem canetas. Quando perguntou o que estava acontecendo, ouviu uma resposta direta: “Não quero fazer nada.”
Fui conversar com o menino, que confessou não ter interesse pelos estudos e que só frequentava a escola porque era obrigado.
Preocupado, procurei a casa dos avós, responsáveis por ele. Eram 10 horas da manhã, mas encontrei a casa fechada. Tentei contato por telefone, sem sucesso.
Voltei à escola com uma pergunta na cabeça: o que leva uma criança tão jovem a perder a vontade de aprender?
Infelizmente, essa realidade não é um caso isolado. Professores encontram alunos sem material escolar, sem disposição para fazer as atividades e, muitas vezes, mais interessados no telemóvel do que na aula.
A escola tem sua responsabilidade, mas não pode caminhar sozinha. A família precisa acompanhar a vida escolar dos filhos, ensinar valores e mostrar que estudar é importante.
Antes de chamar uma criança de preguiçosa ou desinteressada, precisamos entender o que está acontecendo. Mas também não podemos cruzar os braços diante de um problema que pode comprometer seu futuro.
Como professor, acredito que educar exige parceria, diálogo e compromisso. Nenhuma criança deve ser considerada um caso perdido.
Fica a pergunta para nossa reflexão: estamos ensinando nossas crianças a valorizar o conhecimento ou apenas exigindo que elas frequentem a escola?
Joilson Souza — Professor, escritor e colunista.





