
O rei Charles III tornou-se o primeiro monarca britânico a divulgar oficialmente quanto pagou em impostos, em uma iniciativa que amplia a transparência sobre as finanças da família real. Segundo informações apresentadas pelas autoridades da monarquia, o soberano recolheu 12,9 milhões de libras — cerca de R$ 88 milhões — em tributos durante o ano fiscal de 2024/2025.
O montante coloca Charles III entre os 100 maiores contribuintes do Reino Unido e faz parte de um movimento da família real para prestar mais esclarecimentos sobre seus recursos, em meio ao aumento do escrutínio público desde a morte da rainha Elizabeth II, em 2022.
Embora a legislação britânica não obrigue o monarca a pagar imposto de renda, imposto sobre ganhos de capital ou imposto sobre herança, Charles segue a tradição iniciada por sua mãe em 1993 e realiza o pagamento de forma voluntária.
Além dos recursos públicos destinados ao funcionamento da monarquia, o rei recebe rendimentos privados provenientes do Ducado de Lancaster, patrimônio histórico da Coroa que deverá gerar 25,2 milhões de libras (cerca de R$ 172 milhões) no exercício financeiro de 2025/2026.
Segundo o tesoureiro real, James Chalmers, Charles III já pagou mais de 30 milhões de libras em impostos desde que assumiu o trono, após o falecimento de Elizabeth II.
Recursos públicos serão reduzidos
O relatório financeiro também informa que o chamado Sovereign Grant, verba pública utilizada para custear despesas oficiais da monarquia, será de 137,9 milhões de libras no exercício de 2026/2027.
Entretanto, de acordo com Chalmers, o valor será reduzido para 100 milhões de libras a partir de 2027/2028, atendendo a um desejo manifestado pelo próprio rei. A previsão é que esse patamar seja mantido até o ano fiscal de 2031/2032.
Segundo o tesoureiro, apesar do aumento registrado desde 2016 — quando os recursos foram ampliados para financiar a reforma do Palácio de Buckingham — o financiamento não representa um “cheque em branco”, já que existem mecanismos de controle sobre os gastos.
O relatório também revelou que o príncipe William, herdeiro do trono, pagou 7,76 milhões de libras em impostos no período de 2024/2025 e destinou 1,5 milhão de libras obtidas com o aluguel de uma antiga prisão para projetos voltados à comunidade local.
Apesar da divulgação dos números, críticos da monarquia afirmam que parte das finanças da família real continua sem total transparência, principalmente em relação aos patrimônios privados e receitas obtidas por meio dos ducados.
Charles III permanecerá em Clarence House
As autoridades reais também confirmaram que Charles III não passará a morar no Palácio de Buckingham após a conclusão da ampla reforma do edifício, prevista para o próximo ano.
O monarca continuará residindo em Clarence House, localizada nas proximidades do palácio, encerrando uma tradição de quase dois séculos em que Buckingham serviu como residência principal dos soberanos britânicos desde o reinado da rainha Victoria, em 1837.
A obra, iniciada em 2017, prevê a modernização completa da infraestrutura do palácio, incluindo substituição da rede elétrica, tubulações e sistemas de aquecimento.
Mesmo sem ser residência oficial do rei, o Palácio de Buckingham continuará sediando cerimônias de Estado, recepções diplomáticas e eventos oficiais da monarquia. O local também deverá ampliar o acesso para visitantes, que atualmente somam cerca de 700 mil pessoas por ano.







