
Em um movimento político inesperado e carregado de impacto, o Amazonas amanheceu sob novo comando após as renúncias simultâneas do governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza, oficializadas na noite deste sábado (4), a menos de uma hora do prazo final para desincompatibilização eleitoral.
Com a saída dos dois chefes do Executivo, quem assume imediatamente o Governo do Estado é o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade, que passa a ocupar o cargo com efeitos imediatos e já desponta como possível candidato à reeleição pela federação União Progressista.
As cartas de renúncia, escritas à mão, foram entregues às 23h e posteriormente publicadas em edição extra do Diário Oficial da Aleam.
No documento, Wilson Lima afirma que a decisão tem caráter “irrevogável e irretratável” e está fundamentada no cumprimento do prazo legal de seis meses para disputar outro cargo nas eleições de 2026. Ele também manifestou “profunda gratidão ao povo do Amazonas” e destacou a parceria institucional com o Legislativo durante sua gestão, conforme consta na carta publicada (páginas 2 e 3 do documento oficial).
Já Tadeu de Souza, que também formalizou sua saída por meio de carta e publicação nas redes sociais, seguiu a mesma linha, destacando fundamentos legais e agradecimentos institucionais. Em sua manifestação, reforçou o caráter definitivo da decisão e o cumprimento das exigências constitucionais para disputar novo cargo eletivo (página 4).
A renúncia em bloco abre caminho para uma reconfiguração completa do cenário político no Amazonas. Wilson Lima deve disputar uma vaga ao Senado, enquanto Tadeu de Souza é apontado como possível candidato a deputado federal.
A ascensão de Roberto Cidade ao Governo não apenas garante a continuidade administrativa, como também o coloca diretamente no centro da disputa eleitoral, com a máquina estadual nas mãos e a possibilidade concreta de disputar a reeleição.
O episódio chama atenção pela mudança brusca de postura do agora ex-governador. No início de março, Wilson Lima havia afirmado publicamente que permaneceria no cargo até o fim do mandato. A reviravolta, no entanto, reforça o dinamismo — e a imprevisibilidade — do cenário político amazonense às vésperas da corrida eleitoral de 2026.
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