
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), colocou fogo nos bastidores do partido ao testar publicamente, nas redes sociais, uma possível chapa com o vereador Sargento Salazar. A movimentação, que à primeira vista parecia apenas uma sondagem informal, acabou escancarando um dilema estratégico e político dentro da sigla.
Em uma enquete publicada nos Stories do Instagram, Maria do Carmo questionou seus seguidores: “Você apoiaria a chapa Maria do Carmo e Salazar?”. O resultado, até a madrugada deste domingo (5), apontava aprovação expressiva de 82%, contra 18%, animando aliados e reforçando o potencial eleitoral da composição.
O próprio Salazar, cotado como vice, compartilhou a enquete, ampliando o alcance da consulta e dando sinais claros de alinhamento. Com forte presença digital e alto engajamento nas redes sociais, ele desponta como um dos nomes mais competitivos tanto para uma chapa majoritária quanto para a disputa de deputado federal.
Mas é justamente aí que nasce o impasse.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que escalar Salazar como vice pode enfraquecer o desempenho do partido na eleição proporcional. Como candidato a deputado federal, ele é visto como um “puxador de votos”, capaz de impulsionar outros nomes da legenda — peça-chave na estratégia eleitoral do PL.
O cenário preocupa diretamente o presidente estadual da sigla, Alfredo Nascimento. Segundo apuração, ele vê na candidatura de Salazar à Câmara Federal uma oportunidade concreta de viabilizar seu próprio retorno ao Congresso, seja pelo quociente partidário ou pelas chamadas “sobras” eleitorais.
A eventual mudança de rota, com Salazar migrando para a chapa majoritária, pode desmontar esse cálculo político e comprometer planos internos já traçados.
Fontes próximas à pré-campanha indicam ainda que a enquete não foi um movimento isolado. Maria do Carmo teria encomendado uma pesquisa mais aprofundada para medir a viabilidade da chapa com Salazar. O resultado, mantido em sigilo e restrito ao núcleo mais próximo, teria intensificado o dilema dentro do partido.
Entre o entusiasmo das redes e a matemática eleitoral, o PL agora se vê diante de uma escolha delicada: apostar no impacto imediato de uma chapa forte para o governo ou preservar uma estratégia mais ampla de ocupação de cadeiras no Congresso.







