Custodiados do antigo Núcleo Prisional da PM-AM foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar durante a Operação Sentinela Maior, coordenada pelo MP-AM em Manaus.

Uma reportagem especial exibida neste domingo (17) pelo programa Fantástico revelou detalhes das graves irregularidades encontradas no antigo núcleo prisional da Polícia Militar do Amazonas, em Manaus, unidade que foi desativada após a realização da Operação Sentinela Maior, coordenada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas.

A investigação mostrou que policiais militares presos por crimes como homicídio, tráfico de drogas e estupro viviam em um ambiente sem controle efetivo de custódia. Segundo o Ministério Público, o espaço funcionava de forma completamente irregular, permitindo saídas frequentes dos detentos, práticas de lazer e até circulação pela cidade sem escolta.

De acordo com a reportagem, alguns presos chegavam a pagar propina entre R$ 50 e R$ 70 para deixar a unidade sem qualquer fiscalização. A prática teria se tornado recorrente dentro do núcleo, que abrigava 71 policiais militares.

Imagens exibidas pelo Fantástico mostraram uma rotina distante da realidade de um sistema prisional convencional. Os detentos realizavam churrascos, frequentavam espaços públicos e utilizavam até mesmo a quadra de uma escola municipal vizinha para partidas de futebol semanais, sem acompanhamento policial.

Em um dos episódios mostrados pela reportagem, um sargento foi flagrado deixando a unidade com bolas de futebol. Mensagens encontradas no celular dele indicavam que o próprio militar comparava o período no presídio a uma espécie de descanso.

A situação se agravou durante inspeções realizadas pelo Ministério Público, quando promotores identificaram que pelo menos 23 presos estavam fora da unidade no momento da fiscalização. A suspeita levantada pelas autoridades é de que o esquema de “passe livre” permitia que detentos deixassem o local para cometer crimes e utilizassem o próprio presídio como álibi.

Câmeras de segurança também flagraram policiais presos circulando de carro por Manaus e frequentando estabelecimentos comerciais sem qualquer monitoramento. Um dos investigados, acusado de envolvimento em homicídio, foi visto fazendo compras normalmente pela cidade. Outro utilizava o celular dentro da unidade para negociar armas ilegalmente.

A reportagem destacou ainda que o prédio nunca foi planejado para funcionar como presídio, o que contribuiu para a falta de controle e para as falhas estruturais apontadas pelos órgãos de fiscalização.

Diante das denúncias e das irregularidades constatadas, o Governo do Amazonas decidiu encerrar as atividades do núcleo prisional e transferir os detentos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), localizada dentro de um complexo penitenciário com estrutura considerada mais adequada.

A transferência ocorreu na última terça-feira (12), durante a Operação Sentinela Maior, conduzida pelo Ministério Público, pela PMAM e pela Secretaria de Administração Penitenciária. Apesar de protestos de familiares e dos próprios presos, a operação foi concluída sem registro de confronto grave.

Em nota exibida pela reportagem, a Polícia Militar afirmou que não compactua com irregularidades e informou que adotou medidas administrativas, incluindo mudanças na direção da unidade e investigação dos envolvidos.

Para o Ministério Público, o antigo núcleo prisional operava de maneira “totalmente disfuncional” e não cumpria o papel de uma unidade de custódia adequada.

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