Ataque russo com drones em Zaporizhzhia, na Ucrânia • 22 de junho de 2026 REUTERS/Serhii Chalyi

A Rússia continua avançando lentamente na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, onde concentrou a maior parte de suas tropas, enquanto mantém os esforços para cercar a cidade de Kostyantynivka, considerada um ponto estratégico do chamado “cinturão de fortalezas”, além da cidade de Lyman.

No entanto, soldados ucranianos e especialistas afirmam que as alegações russas sobre o avanço das tropas são exageradas. Segundo essa avaliação, Moscou busca fortalecer uma narrativa de sucesso militar para contrapor o impacto de recentes ataques ucranianos em território russo.

Na última semana, autoridades russas chegaram a afirmar que suas forças haviam assumido o controle total da parte oriental de Kostyantynivka e avançado até os arredores da cidade. Entretanto, análises independentes indicam que parte da região permanece como uma “zona cinzenta”, disputada por ambos os lados e sem controle efetivo.

Especialistas explicam que a estratégia russa tem se baseado em pequenas infiltrações de grupos reduzidos de soldados, que conseguem ocupar temporariamente algumas posições, mas ainda sem consolidar domínio sobre a área.

Militares ucranianos que atuam na linha de frente relatam que a situação no setor de Kostyantynivka piorou nas últimas semanas, principalmente em razão do aumento dos bombardeios aéreos russos. Ainda assim, afirmam que os avanços continuam lentos e que as tropas ucranianas seguem destruindo equipamentos e repelindo ataques.

O principal objetivo da ofensiva russa é conquistar toda a região de Donbas, incluindo o chamado “cinturão de fortalezas”, formado por cidades industriais, ferrovias e rodovias consideradas fundamentais para a logística e a defesa ucraniana.

A tática empregada por Moscou consiste no envio de pequenos grupos de infantaria para infiltração em áreas urbanas, estratégia semelhante à utilizada durante a longa batalha por Pokrovsk, marcada por meses de confrontos antes da consolidação do controle russo.

Há diversos fatores que explicam o aumento dessas infiltrações. O período de verão oferece maior cobertura vegetal para o deslocamento das tropas e também favorece a utilização de drones, recurso empregado por ambos os lados do conflito.

Segundo analistas, a Rússia também busca anunciar vitórias militares diante das dificuldades enfrentadas após recentes ataques ucranianos contra infraestrutura em áreas ocupadas e em território russo. Apesar disso, avaliações apontam que Moscou dificilmente conseguirá cumprir a meta de controlar completamente Donbas até setembro.

Especialistas também alertam para a possibilidade de parte das informações divulgadas pela Rússia serem exageradas ou manipuladas. Há suspeitas de utilização de imagens alteradas para reforçar alegações de conquistas em cidades estratégicas da região de Donetsk.

Enquanto isso, na região de Lyman, militares ucranianos relatam aumento significativo da atividade russa, especialmente ao norte da cidade, embora afirmem que as ofensivas continuam sendo contidas pelas forças de defesa.

Autoridades ucranianas avaliam ainda que a intensificação dos ataques russos pode estar relacionada às dificuldades logísticas enfrentadas por Moscou após sucessivos ataques contra suas rotas de abastecimento.

Ataques de longo alcance

Paralelamente aos combates no leste, a Ucrânia intensificou os ataques com drones de longo alcance contra grandes cidades russas.

Na última semana, a região metropolitana de Moscou voltou a ser alvo de ataques. As autoridades russas acusam Kiev de tentar desestabilizar o país ao atingir infraestruturas civis.

Entre os alvos recentes está uma instalação de petróleo nos arredores da capital russa. Durante a tentativa de interceptação dos drones, um míssil da defesa aérea russa teria falhado e atingido um tanque de armazenamento de combustível.

Apesar da intensificação dos ataques ucranianos, o governo russo mantém o discurso de que seguirá com os objetivos estabelecidos para a guerra.

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