
A ex-secretária municipal de Saúde de Manaus e pré-candidata à Câmara dos Deputados, Shádia Fraxe, fez críticas à condução política do ex-vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, e também ao modelo de divulgação de ações do Ministério da Saúde durante participação no programa De Cara com o Fato, apresentado pelo jornalista Elcimar Freitas e pelo sociólogo e cientista político Carlos Santiago.
No quadro “Zero ou Dez”, em que os convidados atribuem notas a personalidades públicas, Shádia evitou classificar Tadeu de Souza com nota máxima ou mínima. Apesar disso, deixou uma crítica contundente ao comentar a trajetória política do ex-vice-governador, que renunciou ao cargo em abril deste ano e atualmente é pré-candidato a deputado federal pela Federação União Progressista, liderada pelo ex-governador Wilson Lima.
Segundo a médica, sua avaliação não estava relacionada à capacidade técnica de Tadeu, mas às escolhas políticas feitas por ele.
“Eu não sou ninguém para dar zero. Eu sou gente para dar dez. Mas não é da minha natureza fazer o que foi feito. Eu sinto muito. Às vezes as decisões erradas, principalmente nesse caminho político… Eu não consigo separar a política da vida. Não tenho um amigo na política e outro na vida real. É uma vida só. Eu não teria a capacidade de fazer o que ele fez”, declarou.
Embora não tenha detalhado quais decisões motivaram sua crítica, a declaração foi interpretada como uma referência à mudança de posicionamento político de Tadeu de Souza após deixar o Governo do Amazonas para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Críticas ao Ministério da Saúde
Durante a entrevista, Shádia também comentou a atuação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a quem conhece desde o período em que ambos atuavam no Hospital de Doenças Tropicais de Manaus.
Ela reconheceu a trajetória técnica do ministro como infectologista, mas afirmou que a gestão da saúde pública deve ser guiada por critérios técnicos e planejamento, criticando o anúncio antecipado de programas e políticas públicas.
Para a ex-secretária, há uma diferença entre divulgar uma iniciativa e garantir que ela esteja efetivamente disponível para a população.
“O que é técnico é técnico, acabou. Muitas vezes se anunciam coisas primeiro na mídia. Eu não me identifico com isso. Para anunciar alguma coisa na saúde, eu preciso ter certeza, testar, confirmar com a equipe. O que eu vi foram políticas públicas sendo anunciadas antes mesmo de acontecerem.”
Ela exemplificou a crítica citando anúncios de campanhas de vacinação que, segundo ela, nem sempre se refletem na disponibilidade imediata dos imunizantes para a população.
“É anunciar uma nova vacina e, quando você vai procurar, ela não tem. Isso é o que me deixa a desejar.”
Trajetória na saúde
Ao longo da entrevista, Shádia Fraxe também relembrou sua passagem pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), destacando avanços obtidos durante sua gestão e defendendo que as decisões na área da saúde devem ser fundamentadas em critérios técnicos e não apenas em estratégias de comunicação.
Em pré-campanha para a Câmara Federal, a médica tem buscado apresentar a experiência acumulada na administração pública como um dos principais pilares de sua atuação política.







