
A Síria espera retomar em breve as negociações com Israel para estabelecer um acordo de segurança que poderá resultar na retirada das forças israelenses de áreas do território sírio. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, em entrevista à Reuters realizada em Damasco. Segundo o chanceler, a principal prioridade do governo sírio é interromper os ataques israelenses contra o país e criar condições para reconstruir a confiança entre os dois lados.
As negociações estão paralisadas desde o início da guerra entre Israel e Irã, de acordo com Shaibani. A situação ficou ainda mais tensa após um ataque israelense contra a base aérea de Abu al-Duhur, na Síria, em 18 de agosto, que teria contribuído para interromper os contatos diretos entre os dois países.
A relação entre Damasco e Tel Aviv se deteriorou ainda mais após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, em 2024. Nos dias seguintes à mudança de governo, Israel ocupou áreas no sudoeste da Síria e realizou ataques contra instalações militares do país. O governo israelense justificou as operações como medidas necessárias para preservar sua segurança.
Desde então, os dois países passaram a discutir a possibilidade de estabelecer um novo acordo de segurança com a mediação dos Estados Unidos. Segundo o chanceler sírio, as negociações avançaram significativamente no início deste ano e os dois lados chegaram a concordar, “no papel”, com quase todos os pontos da proposta.
Shaibani, no entanto, afirmou que Israel não teria demonstrado disposição para colocar os compromissos em prática. Para o governo sírio, um dos principais objetivos do acordo é garantir a retirada das forças israelenses das áreas ocupadas após a queda de Assad.
A proposta em discussão prevê a criação de zonas de segurança desmilitarizadas e áreas de separação que seriam monitoradas pela Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo seria estabelecer mecanismos capazes de reduzir o risco de novos confrontos e delimitar áreas de atuação das forças dos dois países.
Os Estados Unidos têm atuado como mediadores nas conversas e tentado convencer Israel e Síria a retomarem o diálogo. De acordo com Shaibani, Washington continua trabalhando para levar o governo israelense de volta à mesa de negociações.
Apesar das dificuldades e da falta de confiança entre os dois lados, o ministro sírio afirmou acreditar que as conversas poderão ser retomadas em breve. Ele também classificou o momento como uma “oportunidade histórica” para avançar por meio da diplomacia e buscar uma solução para as questões de segurança que envolvem os dois países.
A Síria também sinalizou disposição para manter o diálogo com os países vizinhos. Shaibani afirmou que Damasco pretende construir relações baseadas em entendimento, paz e estabilidade regional, em meio às mudanças políticas e militares que vêm ocorrendo no Oriente Médio.
O governo israelense ainda não havia se manifestado sobre as declarações do chanceler sírio até a publicação da reportagem. Segundo a Reuters, o gabinete do primeiro-ministro de Israel não respondeu ao pedido de comentário enviado pela agência.







