
O estudante e desenvolvedor de sistemas Victor Lima Sedlmaier deve passar por audiência de custódia neste domingo (17/5), após ser preso no aeroporto de Guarulhos, em Guarulhos. O procedimento judicial vai avaliar as condições da prisão e decidir se a detenção preventiva será mantida ou revogada.
Sedlmaier foi deportado de Dubai em uma ação de cooperação internacional e é apontado pela Polícia Federal como integrante do grupo hacker conhecido como “Os Meninos”, investigado por supostamente prestar serviços ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O investigado era alvo da operação da Polícia Federal deflagrada na última quinta-feira (14/5), que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Até a prisão, Sedlmaier era considerado foragido.
PF aponta atuação em esquema de apoio e ocultação de provas
Segundo depoimento prestado à Polícia Federal, Victor afirmou que prestava serviços a David Henrique Alves, apontado pelos investigadores como líder do grupo “Os Meninos”. Alves também teve prisão preventiva decretada, mas segue foragido.
À PF, Sedlmaier declarou que David atuava em assuntos relacionados à “reputação online” de Daniel Vorcaro. Ele disse ainda que trabalhava desde julho de 2024 realizando manutenção de computadores e auxiliando no desenvolvimento de um software de inteligência artificial.
O estudante afirmou receber R$ 2 mil mensais pelos serviços, além de bônus eventuais. Também relatou saber que David Henrique Alves trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, identificado pelos investigadores como o “Sicário” de Vorcaro, recebendo salário de R$ 35 mil por mês.
De acordo com a Polícia Federal, Victor também teria atuado no apoio logístico e na possível ocultação de vestígios relacionados às atividades do grupo hacker.
Caminhão de mudança e suspeita de ocultação de equipamentos
As investigações apontam que, no dia da operação que resultou na prisão do chamado “Sicário”, David Henrique Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo ligado a Luiz Phillipi Mourão. No automóvel, foram encontrados computadores e documentos de terceiros.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que o episódio indicava possível tentativa de fuga e destruição ou ocultação de provas digitais.
Segundo a PF, no dia seguinte à operação, Victor foi até a residência de David Henrique Alves com um caminhão de mudança para retirar itens do imóvel. Os investigadores afirmam que um documento encontrado anteriormente com David continha a foto de Sedlmaier.
Para o ministro do STF, os elementos reunidos sugerem que Victor possuía conhecimento da rotina do líder do grupo e teria participado da retirada ou proteção de equipamentos potencialmente relevantes para a investigação.
A decisão judicial também cita que Sedlmaier é sócio das empresas Drogaria Saúde Vida Ltda. e Nova Farma Drogaria e Cosméticos Ltda., que, segundo a PF, podem ter sido utilizadas para recebimento indireto de pagamentos.







