
A visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Havana intensificou o clima de tensão entre Estados Unidos e Cuba, em meio ao agravamento da crise econômica e ao endurecimento das medidas de pressão adotadas pelo governo americano.
Segundo relatos publicados pela CNN, moradores e trabalhadores em Havana passaram a discutir abertamente a possibilidade de uma escalada diplomática ou até mesmo de uma intervenção militar americana, embora o governo dos EUA não tenha anunciado qualquer operação desse tipo.
A crise econômica cubana vem sendo agravada pelo bloqueio petrolífero imposto por Washington, que afeta diretamente o fornecimento de energia, combustíveis e itens básicos na ilha. Cortes de eletricidade frequentes, escassez de alimentos e falta de medicamentos fazem parte da rotina da população.
A visita de Ratcliffe foi vista por muitos cubanos como um gesto altamente simbólico e provocativo, devido ao histórico de conflitos entre a CIA e o governo revolucionário cubano desde a época de Fidel Castro.
Autoridades cubanas afirmaram que, durante os encontros, defenderam que Cuba não representa ameaça aos interesses americanos. Já integrantes do governo dos EUA acusaram Havana de manter relações estratégicas com Rússia e China.
O cenário ganhou novos contornos após a divulgação de informações sobre uma possível acusação judicial nos EUA contra Raúl Castro pelo suposto envolvimento na derrubada de aviões da organização Brothers to the Rescue, em 1996.
A possibilidade de medidas mais duras por parte dos EUA gerou reação do governo cubano. O presidente Miguel Díaz-Canel declarou recentemente que o país estaria preparado para defender a revolução “até as últimas consequências”.
A imprensa estatal cubana passou a divulgar imagens de treinamentos militares e ações de defesa civil, incluindo orientações para que famílias preparem mochilas de emergência com suprimentos básicos em caso de crise.
Enquanto isso, a população enfrenta dificuldades cada vez maiores. Hospitais sofrem com falta de medicamentos, apagões comprometem a conservação de alimentos e manifestações contra a situação econômica têm se tornado mais frequentes.
Especialistas ouvidos pela CNN avaliam que qualquer agravamento nas relações entre Washington e Havana pode provocar novas instabilidades políticas e sociais na ilha.







